As rádios emitem em várias frequências. Estes episódios, contudo, situam-se numa frequência diferente, não uma de rádio, mas de radio. Como em Radioterapia. Episódios de um tratamento oncológico (à suivre)
Sábado, 01 de Setembro de 2012

A doença, especialmente a doença grave, tem a capacidade de nos confrontar com a nossa fragilidade. Sempre pensei que na vida isso fosse coisa a evitar. Neste mundo de cão, não nos podemos dar ao luxo de expor as nossas fragilidades no trabalho, na vida social, uns com os outros, porque senão somos pisados e passados a ferro pelos outros -os fortes. Era esta a visão que eu tinha antes de estar doente. Dava um ar perfeitamente assumido de saber quem era e o que queria, e para onde queria ir. Escondia sem me dar conta as inseguranças que tinha dentro de mim e que todos os dias me punham a questão: "é mesmo isto que queres? é por ai que queres ir? é esse o caminho?".

 

Mesma lógica para as relações amorosas. Curiosamente com a amizade não. Sempre acreditei que era o mais eu própria possível com os amigos. Estava enganada. Não por ser cínica ou calculista, que não sou nem nunca fui, mas porque não consegui apreender toda a minha realidade, a minha maneira de funcionar, primeiro comigo, e depois com os outros. Era inconscientemente pouco sincera comigo própria.

 

Com o cancro estas aprendizagens foram chegando de mansinho, depois à bruta. Com a consciência desta nova realidade que já não podia negar nem esconder, tive que recorrer a um psicólogo (aliás, duas pessoas diferentes, duas vezes por semana). Ainda hoje me esforço, e ainda hoje não entendo bem como ser forte e vulnerável ao mesmo tempo. Mas sei que a resposta do sentido da vida (da minha, pelo menos), da felicidade, do equilíbrio e da paz está ai: nessa capacidade de aceitar ser vulnerável e trabalhar com isso. Usá-la e não suportá-la. Perder o medo, ganhar asas, e todos aqueles clichés de liberdade no fundo só exprimem uma coisa: a importância de aprender a ser vulnerável.

 

E isto tudo porque hoje vi este vídeo enquanto tomava o pequeno almoço. E agora estou aqui com um baque no estômago...

 

 

 

Breakdown or spiritual awakening ?

 

 

 

Para quem quiser ver o video com legendas siga este link: https://www.ted.com/talks/brene_brown_on_vulnerability.html

Wikipedia: O is the fifteenth letter and a vowel in the ISO basic Latin alphabet.

publicado por Silvina às 11:29

Isto dá mesmo que pensar, mas não sei se será 100% assim. Quer dizer, não sei se será assim para todos.
Uma coisa é aceitarmos o facto de que somos seres vulneráveis e que isso é normal, sim. Outra é não tentarmos vencer a vulnerabilidade em certas situações, porque estamos numa onda de nos abraçarmos a nós próprios e a todas as nossas fragilidades.
Também acho importante criarmos algumas carapaças.
Não sei, vou pensar neste assunto com carinho :)
Ana C a 1 de Setembro de 2012 às 15:42

Lindo o texto, lindo mesmo!
Tão profundo, tão sincero, tão real.
um beijo enorme com muito carinho!
juliana a 2 de Setembro de 2012 às 17:28



mais sobre mim
pesquisar
 
Translation(s)
Últ. comentários
Desculpe mas percebeu mal: Tout va bien como uma e...
ainda bem que as coisas se resolveram e ela agora ...
Ja não. Tout va bien.
Ela ainda está em tratamento?
Faz por estes dias um ano que recebi um postal de ...
Tens-me feito tanta falta...beijinhos, muitos muit...
Radio Alertas




Partilhe a sua historia
Radio friendly Pub'


Kiva - loans that change lives

Estúdio Tatuagem Blood Oath Tattoos

Todas as palavras de Amor

Bau da Aurora artesanato

Mimos de Crochet


Creative Commons Licence