As rádios emitem em várias frequências. Estes episódios, contudo, situam-se numa frequência diferente, não uma de rádio, mas de radio. Como em Radioterapia. Episódios de um tratamento oncológico (à suivre)
Domingo, 28 de Outubro de 2012

O que pode melhorar a qualidade de vida de pacientes terminais com cancro?

O que pode melhorar a qualidade de vida de pacientes terminais com cancro?

 

Pacientes terminais com cancro apresentam melhor qualidade de vida no final desta se não estiverem hospitalizados, se não estiverem a receber alimentação por sonda ou a realizar quimioterapia e se tiverem a oportunidade de orar ou meditar, se receberem apoio espiritual, se se libertarem de preocupações ou ansiedade adicional e se sentirem que têm uma relação de confiança com o seu médico, revelou um estudo publicado nos “Archives of Internal Medicine”, avança o site ALERT®.

O estudo da Dana-Farber Cancer Institute, em Boston, EUA envolveu cerca de 400 pacientes com cancro a quem foi comunicada uma esperança de vida inferior a seis meses. A média etária dos pacientes deste estudo situava-se nos 59 anos de idade e os questionários que serviram de base à investigação foram respondidos pelo próprio paciente, em média quatro meses antes de falecer, e pelo prestador de cuidados mais próximo, normalmente um cônjuge.

Foram nove os factores identificados e que explicam as maiores diferenças no nível de qualidade de vida em pacientes terminais: estadia na unidade de cuidados intensivos na última semana de vida; morte no hospital; preocupações demonstradas pelos pacientes no início do estudo; meditação ou oração; local de tratamento do cancro; alimentação por sonda na última semana de vida; apoio espiritual no hospital; quimioterapia na última semana de vida; aliança terapêutica entre paciente e médico em que o paciente sente que está a ser tratado enquanto ser humano na sua totalidade.

“O que os resultados sugerem é que a atenção dispensada às necessidades psicossociais dos pacientes, as suas necessidades espirituais, o seu conforto, as suas preocupações, a sua necessidade de não serem abandonados pela sua equipa de cuidados e o sentir-se valorizado e importante são alguns dos aspectos que os pacientes e as suas famílias mais valorizam”, refere a líder do estudo, Holly Prigerson. “Não é tanto… a quimioterapia ou os procedimentos que se realizam ou as acções heroicas. É, aliás, exactamente o oposto. É a ligação humana que parece ser mais importante na qualidade dos cuidados em final de vida”, acrescenta. 

Na opinião desta investigadora, os médicos são umas das maiores influências na qualidade de vida de pacientes terminais através da sua disponibilidade emocional e da sua presença quando já não os conseguem curar.

Michel Evans, directora adjunta científica do U.S. National Institute of Aging, refere que os achados deste estudo demonstram a importância de os médicos oncologistas conseguirem gerir a mudança do foco do prolongamento da vida para a optimização da qualidade de vida quando já não é possível obter a cura.

Outro achado relevante tem a ver com a importância dada pelos pacientes à escolha do local onde pretendem passar os seus últimos dias. Evans diz que “é impossível tornar uma unidade de cuidados intensivos num local agradável”. Como tal, passar os últimos dias num local como este “na maior parte das vezes significa que os cuidados estão fora de controlo e que não se baseiam mais na qualidade de vida. É a preservação da vida à custa da qualidade de vida”, refere a investigadora.

Para garantir que os desejos dos pacientes são cumpridos é importante ter documentos (tais como decisões antecipadas, testamentos vitais ou procurações) que nomeiem alguém que tome decisões acerca dos cuidados de saúde no caso de o paciente não o poder fazer.
 Igualmente importante é garantir que os pacientes terminais conversem com as suas famílias e médicos acerca das suas últimas vontades. Evans refere que o primeiro passo consiste em conversar com a família mais próxima para que “quando [o paciente] estiver demasiado doente para tomar decisões, que eles [a sua família] saibam como gostaria que as coisas fossem feitas.”

Um dos factores indicadores de pior qualidade de vida nas últimas semanas de vida tem a ver com as preocupações do paciente. A este propósito a equipa que realizou o estudo concluiu que “através da redução das preocupações do paciente, do encorajamento para a contemplação, da integração de acompanhamento espiritual com cuidados médicos, da promoção de uma aliança terapêutica entre paciente e médico que permita ao paciente sentir-se dignificado, e da prevenção de hospitalizações e continuação de cuidados de prolongamento de vida desnecessários, os médicos podem permitir que os seus pacientes vivam os últimos dias com o melhor nível de conforto e cuidados possível.”

 

publicado por Silvina às 18:49

Isto é tão importante, caraças.
Acho que, muitas vezes as pessoas agarram-se a toda a questão puramente médica, para não terem que encarar a outra questão, um bocadinho mais complexa, um bocadinho mais exigente, um bocadinho mais tudo, mas que, no fundo, é a mais relevante, tal como em tudo na nossa vida. Se o espírito estiver sereno e confortável, é tudo muito mais fácil.
Ana C a 29 de Outubro de 2012 às 08:40



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