As rádios emitem em várias frequências. Estes episódios, contudo, situam-se numa frequência diferente, não uma de rádio, mas de radio. Como em Radioterapia. Episódios de um tratamento oncológico (à suivre)
Sexta-feira, 23 de Julho de 2010

Esta 3a operação não foi no mesmo grande hospital parisiense a que estava habituada. Foi noutro, com outros cenários, outros médicos, outras caras, gestos e cheiros. Assim que entrei vi resmas de gajos giros, completamente atiradiços, e pensei: "Oh gosh, I'm in Grey's Anatomy all over again". é verdade, não sei se é do Verão que traz alegria no trabalho mas eles andavam todos excitados, trocando sorrisos e olhares por todos os corredores. Meteram-se comigo três vezes num espaço de duas horas, e o dobro com uma amiga minha que é mais gira e está habituada a estas situações. Mas tudo isto para dar uma impressão geral do hospital, antiquado mas com gente gira. So far so good.

 

O problema foi que o médico que me ia operar decidiu não passar para falar comigo na véspera da intervenção. Eu já expliquei num post ali em baixo que sou uma maquina de perguntas, que esta cabeça não pára de fazer cenários e trata de centenas de probabilidades por minuto. Claro que tinha a cabeça toda embrulhada na véspera da operação. Uma equipa de médicos (mas faltava o médico que me ia operar, o Dr.Greg) resolveu passar e falar comigo. A médica chefe de serviço teve a lata de me dizer: "Mas o Dr. Greg não vem cá hoje! Ele já falou consigo!" Ao que eu respondo: "Já, há duas semanas atrás. Entretanto houveram novos desenvolvimentos no meu dossier, e eu não sei se a hipótese de operação que ele me tinha explicado HÁ DUAS SEMANAS se mantêm ou não." Ela: "Mas você não precisa de saber isso! Não lhe vou estar aqui a dar uma aula de medicina!" Eu, respirando fundo e olhando-a bem nos olhos: "Não preciso de uma aula de medicina. Preciso de estar informada e enquanto isso não acontecer eu não assino a autorização para a intervenção."

 

UI.

 

Começa a complicação. Então esta paciente quer informações? E não assina o papel? Mau... Estamos mal parados, que isto não entra na mentalidade francesa... Pois, desolée, mas eu acho que tenho direito de estar bem informada sobre o tipo de intervenção que me vão fazer, dado que não é uma urgência, não estou inconsciente e em perigo imediato de vida, estou aqui, bem racional, a pedir que se dignem a vir falar comigo e explicarem-me o que me vão fazer e lavarem-me as duvidas da cabeça.

 

Sinto-me extremamente doida e olhada de lado por todos no serviço.

 

Não assinei o papel até ao dia seguinte, dia da intervenção, onde o Dr.Greg que já estava no bloco subiu ao 1°.andar e veio falar comigo às 7h da manhã. Agradecida pela atenção. Lá assinei. Depois, já instalada na mesa de operações, ainda acrescentei "lu et apprové"...

publicado por Silvina às 08:21


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