As rádios emitem em várias frequências. Estes episódios, contudo, situam-se numa frequência diferente, não uma de rádio, mas de radio. Como em Radioterapia. Episódios de um tratamento oncológico (à suivre)
Sexta-feira, 30 de Julho de 2010

Hoje tive um dia mesmo complicado. Acordo com um telefonema do hospital a dizer que tenho que lá ir com a maior urgência; explico que não estou no país, e que portanto não posso ir já amanhã; levo com a lição de moral de que "a saúde é a coisa mais importante na vida" (como se eu já não soubesse isso oh sua vaca); prometo que vou tentar alterar a minha viagem para poder ir ver a doutora na 2a feira com urgência. Perco o amor ao dinheiro e mudo a viagem (porque SIM, a saúde é MESMO a coisa mais importante).

 

Tento ligar à doutora cinco vezes.

 

à quinta consigo falar com ela que me diz: "então se vem daqui a uma semana está bem."

eu: "mas... Como assim? Isso quer dizer que já não há urgência? que esta tudo bem?"

doutora: "sim, sim, olhe, já nem vale a pena vir à consulta comigo, fale depois com o seu médico, quando ele voltar a meio de Agosto."

 

Fico verde. Tento mudar a viagem para a data em que estava antes deste dia do demo começar. Já não dá, tenho que perder ainda mais o amor ao dinheiro e alterar.

 

Conclusão: 260€ gastos para nada, dia completamente stressante a pensar "merda, mas o que é que eles descobriram nas análises que de tão mau é tão urgente?!" e uma enxaqueca.

 

Ao fim do dia encontro-me com 3 amigas de longa data, que ja não via há um par de anos, e conversámos de tudo como se nos tivessemos visto ante-ontem. Senti-me mais leve e sortuda de as ter na minha vida. Realmente um dia mais complicado vale a pena ser vivido se depois existem momentos destes, que podemos aproveitar em pleno, que são descomplicados e honestos, sem fingimentos ou artifícios. Falei de mim, falei do cancro, falei do Lambard, do trabalho, da escassez de homem, de como no Chiado abundam gays, de como em Paris gays abundam, e ouvi novidades do pai da J.M., que já se reformou e anda por ai a dançar com senhoras nos bailes do Alentejo todo contente. São momentos assim que me hidratam a vida, que lhe dão substância.

publicado por Silvina às 23:46
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Estou mesmo triste com esta noticia. Apanhou-me desprevenida, o António estava sempre bem disposto, forte e optimista na sua luta, que é também a minha. Sempre o olhei com admiração, na maneira como continuava a trabalhar, a suportar tratamentos, a postar pensamentos LOLengraçados no facebook. Fica aqui um vídeo de uma entrevista feita em Fevereiro deste ano. Em jeito de homenagem.

 

 

publicado por Silvina às 01:48

Quarta-feira, 28 de Julho de 2010

Primeiro ponho isto:
photo
depois isto:
e de seguida este:
ainda tenho que arranjar um destes, mas vai ser difícil, porque tenho uma grande cabeça e ficam-me todos mal. A sério, já experimentei muitos...
publicado por Silvina às 08:32

Sexta-feira, 23 de Julho de 2010

Esta 3a operação não foi no mesmo grande hospital parisiense a que estava habituada. Foi noutro, com outros cenários, outros médicos, outras caras, gestos e cheiros. Assim que entrei vi resmas de gajos giros, completamente atiradiços, e pensei: "Oh gosh, I'm in Grey's Anatomy all over again". é verdade, não sei se é do Verão que traz alegria no trabalho mas eles andavam todos excitados, trocando sorrisos e olhares por todos os corredores. Meteram-se comigo três vezes num espaço de duas horas, e o dobro com uma amiga minha que é mais gira e está habituada a estas situações. Mas tudo isto para dar uma impressão geral do hospital, antiquado mas com gente gira. So far so good.

 

O problema foi que o médico que me ia operar decidiu não passar para falar comigo na véspera da intervenção. Eu já expliquei num post ali em baixo que sou uma maquina de perguntas, que esta cabeça não pára de fazer cenários e trata de centenas de probabilidades por minuto. Claro que tinha a cabeça toda embrulhada na véspera da operação. Uma equipa de médicos (mas faltava o médico que me ia operar, o Dr.Greg) resolveu passar e falar comigo. A médica chefe de serviço teve a lata de me dizer: "Mas o Dr. Greg não vem cá hoje! Ele já falou consigo!" Ao que eu respondo: "Já, há duas semanas atrás. Entretanto houveram novos desenvolvimentos no meu dossier, e eu não sei se a hipótese de operação que ele me tinha explicado HÁ DUAS SEMANAS se mantêm ou não." Ela: "Mas você não precisa de saber isso! Não lhe vou estar aqui a dar uma aula de medicina!" Eu, respirando fundo e olhando-a bem nos olhos: "Não preciso de uma aula de medicina. Preciso de estar informada e enquanto isso não acontecer eu não assino a autorização para a intervenção."

 

UI.

 

Começa a complicação. Então esta paciente quer informações? E não assina o papel? Mau... Estamos mal parados, que isto não entra na mentalidade francesa... Pois, desolée, mas eu acho que tenho direito de estar bem informada sobre o tipo de intervenção que me vão fazer, dado que não é uma urgência, não estou inconsciente e em perigo imediato de vida, estou aqui, bem racional, a pedir que se dignem a vir falar comigo e explicarem-me o que me vão fazer e lavarem-me as duvidas da cabeça.

 

Sinto-me extremamente doida e olhada de lado por todos no serviço.

 

Não assinei o papel até ao dia seguinte, dia da intervenção, onde o Dr.Greg que já estava no bloco subiu ao 1°.andar e veio falar comigo às 7h da manhã. Agradecida pela atenção. Lá assinei. Depois, já instalada na mesa de operações, ainda acrescentei "lu et apprové"...

publicado por Silvina às 08:21

Terça-feira, 20 de Julho de 2010

Ja fui operada. Correu tudo bem, mas estou assim:

 

http://membres.multimania.fr/benootmarjory/nemo-dory.jpg

 

inchada.

publicado por Silvina às 11:22


Gostei muito deste post, aqui vai um excerto:

 

"Não que a tivesse esquecido. Não se esquecem os primeiros amores.

 

Passados uns anos ia, de carro, a subir a Rua do Alecrim e ela atravessa a passadeira a minha frente. "A." chamei. Combinei encontrar-me com ela, uma vez, outra e percebi que também ela não me tinha esquecido. Estávamos os dois livres e revivemos 3 meses muito bons daquilo que tivemos na juventude. Depois a vida complicada dos crescidos tornou a separar-nos e não mais nos falámos. Assim, simplesmente sem nos zangarmos mas dando mais prioridade a outras coisas.
Soube agora, durante um jantar por pessoas que descobri que a conheciam, que morreu. De cancro, contra o qual lutou durante mais de um ano. Não tenho que vos descrever a pena e a revolta que sinto por não a poder rever e não lhe dizer o quanto tinha sido importante para mim e como fazia parte daquilo que sou. Não é isso que quero partilhar convosco porque sabem aqueles que acompanham a minha escrita esporádica que tenho pudor em trazer para aqui a minha vida privada. O que eu quero dizer é que não tomem as pessoas por garantidas porque não são. Estimem aquelas pessoas que vos são importantes, mesmo que já não o façam há muito tempo, assegurem-se que elas sabem disso.
Groucho"
publicado por Silvina às 11:19

Terça-feira, 06 de Julho de 2010

Reitero o pedido que fiz aqui há tempos:

 

 

Se encontrarem ai pelo cyberespaço alguém com o mesmo problema que eu, que me enviem para o mail episodiosderadio(AT)sapo(PONTO)pt, ou então deixem uma palavrinha ai na caixinha de comentários, a gerência agradece :)

 

Nome técnico deste cancro safado:

Carcinoma muco-epidermóide da glândula salivar sub-maxilar ou carcinoma mucoepidermóide da glândula salivar submandibular.

[Traduções: mucoepidermoid carcinoma submandibular salivary gland; carcinome muco epidermoïde de la glande salivaire sous maxillaire]

publicado por Silvina às 23:03


Hoje fui falar com o Dr. Lambard. Lá estava ele à minha espera, todo bronzeado, giraço e muito provavelmente gay (snif!). Assim que entrámos no gabinete ele riu-se e eu comecei a disparar perguntas. Credo. Acho que me transformei numa máquina de atirar perguntas, como aquelas coisas nos filmes americanos que atiram bolas de basebol e as pessoas só têm que lhes acertar com o taco. Hoje era o Lambard quem segurava no taco (passe a metáfora a puxar para a ordinarice).

 

Fiquei a saber que tinha razão em tudo o que pensava, que ele acha que tenho os pés bem assentes na terra, e que novidades, novidades, só depois da operação e consequentes semanas de espera pelos resultados. Ele vai de férias e eu vou à faca. Voltamo-nos a ver em Agosto. Ele todo bronzeado e eu toda enfeitada com novas cicatrizes. Mal posso esperar...

publicado por Silvina às 19:31


publicado por Silvina às 19:16


Visto no blog Sport Mental

 

(em francês, sorry)

 

 

"Tous les joueurs de tennis, quel que soit leur niveau, connaissent l’expression « jouer point par point », mais ont-ils tous conscience du message qu’elle cherche à faire passer, de sa relation au vécu de l’instant ? Ont-ils connaissance des liens de cette dernière avec les aspects mentaux de la performance ? Ont-ils réellement perçu l’intérêt de parvenir à « jouer point par point » et appris à développer les stratégies qui le permettent ?…

 

Rafael Nadal, lui, a fait de la capacité à vivre dans « l’ici et maintenant », un mode de vie, un accompagnateur de performance, une sorte de règle. A la question du journaliste « Vous attendiez-vous à ce genre de match ? », il répond : « je ne m’attendais à rien avant le match. J’attends juste de jouer mon meilleur tennis sur chaque point et d’essayer de me battre sur tous les points jusqu’au dernier. Je ne me dis pas : « cela va être dur, je vais perdre ou je vais gagner ». Je ne pense pas à ça. Je pense juste à me battre sur chaque point et à jouer point après point. Je ne pense pas au-delà du point suivant » (l’equipe.fr : Nadal : « Merci la vie »).

 

Il ne semble pas adopter cet état d’esprit uniquement durant une rencontre mais également dans son quotidien : « Disons que j’essaie de donner le maximum à chaque instant, à chaque entraînement, sur chaque point. L’important, c’est d’être présent tout le temps » (L’Equipe, Lundi 5/07/10, p.9)."



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