As rádios emitem em várias frequências. Estes episódios, contudo, situam-se numa frequência diferente, não uma de rádio, mas de radio. Como em Radioterapia. Episódios de um tratamento oncológico (à suivre)
Segunda-feira, 22 de Agosto de 2011

http://media.kiva.org/kiva_logo_hiRez.jpg

 

Há um novo banner ai na coluna do lado direito, com ligação directa para o site KIVA.org, uma associação que dinamiza a micro-finança de um modo muito simples e fácil. é só lá ir, podem criar um user ou então fazer Login com a vossa conta do Facebook. Depois é só abrir os cordões à bolsa! Podem fazer empréstimos a partir de $25. Depois os beneficiários vão pagando a pouco e pouco. Chama-se micro-crédito. Eu já ajudei pessoas da América do Sul, África e Ásia. Prefiro emprestar a mulheres e em prioridade a projectos de habitação, porque acho que ter um tecto é uma das necessidades básicas. Também já emprestei para negócios de agricultura, industria têxtil (de pequenas dimensões), transportes, etc. Quando vou recebendo os pagamentos das pessoas a quem emprestei espero que perfaçam $25, escolho outra pessoa e empresto outra vez. Já dizia a mãe de uma amiga minha, "o dinheiro é para circular!".



Não sei se já disse aqui "publicamente" que ando a dar na morfina mais ou menos desde Novembro. Com doses de cavalo ao inicio (no pós-operatório) e com pico também durante os tratamentos de radioterapia. Assim que senti os efeitos secundários da radio a passarem, diminui a dose. Durante a radio tomava 50mg de 12 em 12 horas, mais 20mg de morfina de "acção rápida" antes de comer. Depois fui diminuindo aos poucos, por minha própria iniciativa. Às vezes fui demasiado bruta na redução das doses e tive que voltar a aumentar; foi toda uma montanha russa jogar com as dores, os diversos medicamentos, a morfina e, sobretudo, os efeitos secundários da morfina, que não são brincadeira.

 

Uma vez perguntei à farmacêutica se podia tomar paracetamol em vez da morfina, por exemplo. Ela riu-se na minha cara (sympa...) e disse-me: "Paracetamol para si é como se fosse açúcar!" E foi assim que descobri que estava mais ou menos "agarrada" à morfina... Desde há uma semana que não lhe toco. Os primeiros 3 dias custaram um bocado. Tive dores, a cabeça pesada, parecia que estava com uma ressaca daquelas lixadas. O corpo também estava mole e lento. Socorri-me com paracetamol, que remédio. Psicologicamente acho que ajudou a diminuir a dor (lá está, como o açúcar em certas ocasiões...). Uma semana depois reparei que a tripa já está a voltar ao normal, deixei de tomar laxantes, e os únicos comprimidos que ainda tomo são a pílula e o ansiolítico, ah e o Ginseng bio de manhã, para ver se engano este corpinho e ele se digna a ter mais energia.

 

Vamos ver até quando é que dura este estado de graça morfina-free.

publicado por Silvina às 22:11


Quando estou nervosa passo o dia a ver séries (crime, drama, etc). Ultimamente tenho andado a ver Numb3rs. E hoje o episódio acabou assim:

 

“BLOOM: Can I make a toast? To scars, those we’ve already earned and those that are coming.”

 

Private message para a Silvina?

publicado por Silvina às 22:02

Domingo, 21 de Agosto de 2011

Amanha começa a semana do demo, às 8h da manhã tenho de estar preparada, de veia espetada. Vou fazer um scanner à zona torácica e abdominal, com contraste. Uma espécie de TAC, acho. Vamos lá ver como estão estes pulmõezinhos... Para ajudar fui passar o fim de semana ao campo, porque ar puro nunca fez mal a pulmão nenhum. Boa companhia, boa comida, boas vistas, e ainda ganhei uma corzinha. Andei pela zona dos vinhos, vinhas a perder de vista e caves com dégustation a torto e a direito. Parámos numa e os meus amigos provaram uns tintos. Eu torci o nariz. Depois armei-me em corajosa e fui lá bebericar. Erro. Álcool nesta garganta ainda não é, definitivamente, boa ideia... O que é pena, porque só me apetecia encharcar-me em Porto no final do dia, todos os dias desta semana.

publicado por Silvina às 21:03

Quinta-feira, 18 de Agosto de 2011

Hoje decidi blogar em tempo real. Soube há exactamente 2h30 atrás que o nódulo da nuca é um novo tumor. Esta confirmada a TERCEIRA recidiva, depois de estar há dois curtos meses em remissão.

 

Nunca dar nada por garantido. Aproveitar mesmo todos os momentos. Viver sem arrependimentos.

 

Agora seguem-se mais exames para determinar a natureza da "coisa" e a sua extensão. Continuo a cruzar os dedos e a fazer figas para não ter cancro espalhado pelo corpo todo. É que não me apetece nada. É Verão, este ano ainda não fui à praia, e quero estrear o bikini e mergulhar nas ondas.

publicado por Silvina às 15:30

Quarta-feira, 17 de Agosto de 2011

publicado por Silvina às 22:54


Na semana passada foram análises ao sangue. Hoje foi a punção aspirativa por agulha fina (PAAF), a um novo nódulo que me apareceu há umas semanas na nuca. Quando reparei nele pensei: "Oh não!..." Depois enfiei a cabeça na areia e decidi não me preocupar por uns dias. Não costumo fazer isso, enfiar a cabeça na areia, não querer saber. Mas acho que o medo (terror?) que sinto justificou a reacção incaracterística.

 

Finalmente, depois de algum convencimento por parte de duas amigas, lá me decidi telefonar ao médico e fazer a panóplia de exames que me irão permitir saber. E agir em conformidade. Pode não ser nada, ou pode ser o balde de agua fria mais absoluto.

 

Tenho a cabeça a ferro e fogo. Sou incapaz de sequer conceber passar outra vez pelo que passei em Janeiro e Fevereiro. Não tenho estaleca para mais tratamentos, nem vontade, nem coragem. Por isso este alto vai ter que ser só um gânglio inflamado, que eu, sinceramente, já tive a minha conta.


Segunda-feira, 15 de Agosto de 2011

via O Amor é Um Lugar Estranho

 

chorei muito entre os minutos 3:35 e 8:18, na historia de Alberto Melo e Hélène.

 

"...a minha felicidade actual deve-se a essa experiência de partilha, partilha de tudo, partilha de vida, partilha de morte. Quem tem medo da morte no fundo também são as pessoas que têm medo da vida, e também têm medo do amor, porque têm medo de sofrer"

 

publicado por Silvina às 23:29

Sexta-feira, 12 de Agosto de 2011

 

às vezes passo horas a pesquisar em sites de cancro...

Esta semana encontrei dois, que me agradaram especialmente, porque são dirigidos a jovens adultos com cancro:

http://blog.stupidcancer.com/ (acho que o nome diz tudo!)

 

e este, que tem fotos de sobreviventes com um resumo das suas historias:

 

http://facesofstupidcancer.tumblr.com/

 

 

Outra reflexão à parte, precisa-se, em língua portuguesa, de um sinónimo para o Inglês "cancer survivor".

Sobrevivente de cancro? (horrível)

Sobrevivente ao cancro? (ékkkk)

Porque a expressão em Inglês tem uma força especial: "I'm a cancer survivor" pressupõe um estatuto especial, um achievement, um feito que acompanha a descrição da pessoa para o resto da sua vida. é uma definição, que se torna um traço da personalidade da pessoa.

Em Português parece que é um fait divers, uma coisa que se deixa escapar numa conversa por acaso. "Olha, sobrevivi a um cancro." Lá está, a acção em vez da descrição; o acto em vez do facto. Em Português, vencer o cancro é uma coisa que se fez, não uma coisa que se devém. Aceitam-se sugestões... :)

publicado por Silvina às 14:15

Quarta-feira, 10 de Agosto de 2011

publicado por Silvina às 02:11


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