As rádios emitem em várias frequências. Estes episódios, contudo, situam-se numa frequência diferente, não uma de rádio, mas de radio. Como em Radioterapia. Episódios de um tratamento oncológico (à suivre)
Quinta-feira, 29 de Setembro de 2011

O meu top de comentários:

 

Comentário da Fufuberry:

(...) Most thyroid cancer scars become invisible after a while, but mine created too much scar tissue, so it's pretty visible and probably always will be. I've learned to be okay with that. It runs from the right side of my neck up to my left ear. People who I have NEVER SPOKEN TO EVER IN MY LIFE come up to me and give me tips and ideas for things to rub on it to make it less visible. Who does that? That's such rude behavior! Or my favorite is when friends and family see me for the first time since this ordeal and come out with "oh your scar isn't that visible at all! It looks just like a necklace!" 1. If it's not so visible, why are we *talking* about it? 2. I would never wear a necklace that looks like a scar. That'd be a damn ugly necklace. They don't sell those at claire's or JCPenny.

 

 

Comentário do Deltadawn:

Yeh. Everybody's got problems. It's not a contest.
What I don't get is why so many people seem to think that minimizing the pain and fear of it will make it easier to bear. Don't insult my intelligence, please. Don't ever insult my intelligence, please, especially when you are trying to help me get through a scary illness. At every stage (tentative diagnosis, biopsy, staging, treatment planning) everyone kept telling me,


" It's OK! It's not cancer, you won't need chemo, your hair won't fall out and you won't die!"


Nothing bad will happen! Except something bad already did happen - I got cancer!


I felt so lonely when they talked to me this way. I have cancer. That means I'm not allowed to talk about death? How about baldness? May I talk about that?
They were trying to help me, they loved me, they were scared - I know, I know and I appreciate it. I really do. I'm venting here.


Now, when people tell me that they or someone they care about is getting a biopsy or has cancer already, I tell them what I always wanted hear - That's terrible! That's terrifying! How are you doing? What do you want to know?

 

 

Tenho uma amiga que cada vez que me via comentava: "Ahhh, a tua cicatriz está maravilhosa, não se nota nada!", mesmo se me visse TODOS os dias. E às vezes o discurso continuava: "está muitooo menos inchado, de frente nem se nota!" (e o perfil, não existe?!)

Obvio que isso me punha doida. Até porque se nota, e muito:

 

(apesar da foto não estar genial, dá para ver a diferença de coloração da pele do rosto (rosada) e da pele do enxerto (amarelada). Claro que até ficou bem, claro que podia ter ficado pior, claro que ainda vai desinchar com o passar do tempo (não totalmente mas mais um bocadito).

Mas dava tudo para ter a minha mandíbula de volta, com os meus dentes, e poder mexer a minha língua normalmente, e que não se notasse nada na fala. Porque o mais importante para mim são as sequelas que não estão à vista.

publicado por Silvina às 12:42

Terça-feira, 27 de Setembro de 2011

..."DES RAPPELS AIGRES-DOUX DE LA FUGACITE DE LA JOIE HUMAINE" P.D. JAMES, Les fils de l'homme.

As coisas básicas são as mais essenciais. As que fazem sentido, as que oferecem mais retorno. Comer, dormir, respirar, beber, natureza, livros, música...
publicado por Silvina às 18:55


 

E o prazer que é regressar a Paris e ter este sol à nossa espera?

 

(às vezes não me apercebo do privilégio que tenho em morar nesta cidade.)

 

 

*Qualquer coisa como: "o Verão de S. Martinho".

publicado por Silvina às 18:51


 

Roma foi fixe. Fartei-me de andar, há lá muito para ver. E fartei-me de comer pizza e andar nos autocarros sem pagar porque sou pobre, e entrar no Museu de Arte Oriental sem pagar porque sou estudante. Comi um gelado, comprei um vestido, trouxe uns postais para enviar para os amigos como é tradição. Apesar da poluição, descansei a cabeça, dormi a horas certas e até me consegui levantar às 8h num dos dias para ver o Fórum Romano.

 

Hoje foi o primeiro dia de radio. Já lá tinha ido ontem, deitar-me na "marquesa" meia hora para fazerem as medições necessárias. Hoje (e ontem também) cruzei-me com o meu médico giraço. Não sei se foi por ter largado a pílula, mas ando com uma libido descomunal e levemente descontrolada. O que me ajudou a concentrar-me no meu médico e a ter pensamentos pecaminosos em vez de me concentrar no medo e na sensação de desconforto que é ter que voltar àquelas salas. Portanto, posso dizer com toda a convicção que a ronda de testes e a primeira sessão correram muito bem. E que o Lambard ficou especado a olhar para mim de alto a baixo, porque além da libido levei saltos e um senhor decote (grande, mas não ordinário). é sempre bom impressionar pela positiva a equipa médica...

 

 

*Gosto muito da Miss.Tic, a foto é de um stencil ao pé da minha casa. Não sei bem como traduzir esta expressão, porque perderia toda a magia que reside em pronunciar estas palavras em francês.

 

publicado por Silvina às 18:19

Segunda-feira, 19 de Setembro de 2011

Desta vez vai durar três semanas. Além de me cair o cabelo na zona irradiada, terei a pele vermelha e, aparentemente, é só isso. Vamos ver que bem que fico pele-vermelha e meia careca. Começo daqui a uma semana.

 

Entretanto vou ali e já venho...

 

imagem roubadíssima da net

publicado por Silvina às 23:37


Tenho inveja das pessoas que seguem as suas vidas sem cancro. Que antecipam as compras de Natal porque sabem que cá vão estar no Natal para as oferecer. Tenho inveja dos casais felizes, do amor que existe sem cancro, das vidas que se constroem. Tenho inveja das férias programadas, do cansaço do final de um dia de trabalho. Tenho inveja daquelas pessoas que fazem planos, que têm sonhos e que sabem que mais tarde ou mais cedo os vão realizar se fizerem por isso. Tenho inveja das pessoas que têm dificuldades na vida, que enfrentam problemas, mas que esses problemas não são cancro. Tenho inveja das pessoas que mantêm as amizades, que regam os afectos, que saem à noite ou se divertem no restaurante sem ter "cancro" sempre presente no fundo do pensamento.

 

Nunca fui uma pessoa invejosa, mas hoje dou por mim a sê-lo, por vezes, porque hoje sinto aquela tristeza causada pelo cancro que se torna pesada com o passar dos dias. é aquela tristeza que se confunde com o medo, com o sentimento de prisão.

 

Muito devido à palavra "metástases", ou à expressão composta "metástases no pulmão", que faz com que me sinta já meio morta. E com inveja dos que estão plenamente em vida.

publicado por Silvina às 23:18
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Quinta-feira, 15 de Setembro de 2011

 

 Primeira tentativa... Ficou um bocado torta, mas ofereci a uma amiga e ela ficou contente. Hoje serve-se dela para pôr os pensinhos higiénicos... 

 

 

 

 

 

E esta fiz agora mesmo, para pôr o meu telemóvel novo, giro, giro, branco e cor-de-rosa -não sei o que é que me deu-. Gostei do resultado, até tem uma argolinha para prender à mala, para não me roubarem o novo bijou... 


Quinta-feira, 08 de Setembro de 2011

Pronto o gânglio cervical já saiu. Entrei no hospital numa segunda-feira à tarde, a cirurgia foi na terça, durou 1h e pouco e na quarta já estava em casa. Dito assim até parece fácil. Mas não foi assim tão pão, pão, queijo, queijo. Porque esta que vos escreve é uma gaja assumidamente traumatizada. Assim que a enfermeira me veio picar o bracinho comecei a fungar. Mal ela virou costas, as lágrimas escorreram-me pela cara, e eu só pensava: "Oh não, estou aqui outra vez... Quando é que isto pára? Porquê eu?", e estas perguntas reviravam-se sem parar na minha cabeça. Depois tive que olhar bem para o braço dorido e pensar: "Porra. é só uma agulha lá enfiada. Daqui a uns dias sai. Não é nada de especial."

 

No dia X, assim que me levaram para o bloco já estava com olhos de cachorrinho abandonado. Mal cheguei ao bloco e senti os cheiros, o ambiente desinfectado, o vai-e-vem do pessoal médico atarefado, as lágrimas escorreram outra vez. Lembro-me de pensar que estava a ser ridícula. Afinal a operação era simples, com anestesia local, com um médico que eu conheço e com quem me entendo bem (e que ainda por cima é giraço). Mas o medo (terror?) foi mais forte e, em vez de um choro compulsivo, larguei as lágrimas numa fina corrente de água, em direcção ao lençol azul que me cobria, que ficou manchado com poças de lágrimas.

 

A única forma de me controlar foi pensar: "Não sejas parva. Pára de chorar. Isto é simples, e vai correr tudo bem." E repeti isto muitas vezes, como um mantra. Funcionou mais ou menos. Uma vez na mesa de operações, e já bem drogada da anestesia local assistida, ainda choraminguei, disse que tinha medo, e tive a enfermeira chefe a fazer-me festinhas no braço e o médico giraço a fazer voz de bebé e a falar comigo como se eu tivesse 5 anos. A situação era tão estúpida que me fez sorrir. E relaxei. E senti sem dor os cortes e as lacerações com um instrumento quente, e soube quando ele começou a coser para fechar a ferida. E não me fez a mínima confusão saber que me andavam a cortar toda, porque estava cheia de confiança. Eu sei que esta não foi a minha ultima operação. Mas alegra-me pensar que apesar de "fácil", esta operação exigiu de mim este mundo e o outro e eu, mais uma vez, consegui superar-me.



http://ihadcancer.com/

 

 

Uma boa ideia!

 

 

"I Had Cancer" é uma rede social criada para os doentes com cancro e todos os que os rodeiam poderem partilhar as suas experiências, de modo a encararem melhor a vida antes, durante e depois da doença, conta a TSF.


Esta rede social permite aos seus utilizadores formar um círculo de amizades virtuais, contar a sua história, participar em discussões e até dirigirem-se directamente à sua doença numa área designada "Dear Cancer [Querido cancro]", onde poderão publicar mensagens.

 

Os impulsionadores desta rede social estão a trabalhar para desenvolverem aplicações que promovam a realização de eventos e o trabalho de organizações não-governamentais.

 

“Tinha médicos maravilhosos e apoio da minha família e amigos, mas achava que me faltava uma ligação a alguém que partilhasse esta experiência”, explicou a fundadora da rede social "I Had Cancer", Mailet López, de 33 anos, que foi diagnosticada em 2008 com cancro da mama.

 

Os utilizadores desta rede social poderão procurar pessoas que tenham passado pela mesma situação, através de um sistema de pesquisa por localização, género, idade, tipo de cancro e tratamento.

 

Visto no POP

publicado por Silvina às 11:28

Quinta-feira, 01 de Setembro de 2011

 

Discurso de Steve Jobs, Stanford University, 2005.

 

via Sentaqui

 

"Remembering that I'll be dead soon is the most important tool I've ever encountered to help me make the big choices in life. Because almost everything — all external expectations, all pride, all fear of embarrassment or failure - these things just fall away in the face of death, leaving only what is truly important. Remembering that you are going to die is the best way I know to avoid the trap of thinking you have something to lose. You are already naked. There is no reason not to follow your heart."

publicado por Silvina às 12:09


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