As rádios emitem em várias frequências. Estes episódios, contudo, situam-se numa frequência diferente, não uma de rádio, mas de radio. Como em Radioterapia. Episódios de um tratamento oncológico (à suivre)
Domingo, 05 de Dezembro de 2010

Estou em casa há quase uma semana, dias que passaram sem os sentir, noites acordada por causa das dores na perna que tem que estar levantada por cima de 3 almofadas, o que me impede de dormir na minha posição preferida e mais confortável que é de lado. Estou em casa com a minha amiga M., que faz de Gorete (empregada da limpeza), cozinha, vai às compras, à farmácia (devia começar a ter lá uma conta cliente fiel), a todo o lado que é necessário. E eu cá estou, de perna no ar e quase inútil, corpo que vai emagrecendo (valha-nos isso) e tentando aguentar uma cicatrização que é pesada, muito pesada.

 

E hoje saí de casa. E andei menos de 100m. E tudo me doía, as mãos, a perna, a coxa, o ânimo. Estou farta desta situação que de transitória se tornou a minha realidade diária. Farta da dependência que obviamente se instalou porque necessária, farta da imobilidade que me é imposta, farta da lentidão dos avanços da cura. E para mais dou por mim a questionar o que não devia questionar, a deixar-me arrastar pelos cantos pelo medo e pelo desconhecido, pela ameaça de um futuro próximo que se sabe menos que risonho.

 

E o futuro a médio / longo prazo, esse, não o vejo. Nem com o horizonte mais negativo ou positivo. Não o visualizo para o melhor nem para o pior. Neste momento esse tipo de futuro não existe.

 

E é bonito o carpe diem e o caralho, mas viver o dia-a-dia sem sonhos e sem planos é uma grande merda no fim do dia. Errados estavam esse Horácio que se lembrou desta frase em latim, e os new-age que curtem o "vive no momento". Devíamos era todos fazer por viver num momento infinito, e que a esperança e a crença na saúde e na felicidade se prolongassem através dos dias, e se dissipassem lentamente ao mesmo ritmo do nosso sopro vital. Isso sim. Agora teorias estéreis do carpe diem quando não há plano onírico, quando a esperança é pouca e quando não se consegue ver mais do que um palmo à frente da cara é uma grande badamerda.

publicado por Silvina às 17:21

Não vou dizer carpe diem nem outro tipo de palavras de incentivo porque parecerão só comentários de circunstância.

Tem todo o direito, e razão, de estar zangada.

Mas que vai passar, ai isso vai.

Beijinhos
Susana Neves a 5 de Dezembro de 2010 às 21:47

Sim, estou possessa. E espero que passe rápido .
Beijinhos! :)
Silvina a 6 de Dezembro de 2010 às 13:09



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