As rádios emitem em várias frequências. Estes episódios, contudo, situam-se numa frequência diferente, não uma de rádio, mas de radio. Como em Radioterapia. Episódios de um tratamento oncológico (à suivre)
Domingo, 03 de Abril de 2011

*edit Outubro 2012*

 

Março 2008: Aparecimento do primeiro (e único) sintoma, um nódulo duro no pescoço acompanhado de algumas dores a engolir que duraram uma semana;

 

Março 2009: Numa consulta com o médico de família este reparou no nódulo e decidiu mandar-me fazer exames (análises ao sangue, ecografia e raio-x aos pulmões);

 

Maio 2009: Encaminhamento para uma consulta de especialista ORL - Otorrinolaringologista;

 

Junho 2009: Ressonância magnética e primeiro diagnóstico de tumor benigno da glândula salivar;

 

Setembro 2009: Por insistência do médico ORL fiz uma punção aspirativa com agulha fina (PAAF). O resultado veio duvidoso, o que impulsionou o médico a marcar uma operação de urgência para dali a uma semana;

 

Outubro 2009: 1a operação - glândula salivar retirada, assim como vinte e tal gânglios linfáticos da região do pescoço. Um mês depois, diagnóstico definitivo, carcinoma muco-epidermóide da glândula salivar sub-maxilar ou carcinoma mucoepidermóide da glândula salivar submandibular (mas os gânglios não estavam afectados);

 

Dezembro 2009: 2a operação - para retirar gânglios linfáticos na região da clavícula. Também não estavam afectados;

 

Fim Dezembro 2009 - Fevereiro 2010: 35 sessões de radioterapia na dose máxima;

 

Junho 2010: exames de rotina (ressonância magnética, ecografia, PETscan). Recidiva, novo tumor localizado na mesma região do pescoço que o tumor inicial;

 

Julho 2010: 3a operação - este novo tumor correspondente à recidiva foi retirado, assim como vários gânglios linfáticos adjacentes e tecido muscular que se encontrava muito próximo do tumor. Devido às complicações que poderiam surgir, foi decidido pela equipa médica não efectuar uma intervenção mais invasiva nem novos tratamentos de radioterapia;

 

Outubro 2010: exames de rotina (ressonância magnética, ecografia). Segunda recidiva, novo tumor localizado na mesma região do pescoço que o tumor inicial, com possível infiltração no músculo e no osso do maxilar;

 

Novembro 2010: 4a operação, extremamente invasiva. Retirado o tumor, músculos e outros tecidos adjacentes e uma porção do maxilar (dentes incluídos). Substituição do maxilar pelo osso perónio da perna. Enxerto de pele da coxa para a barriga da perna, feito 9 dias depois da 1a intervenção com nova anestesia geral (5a operação). Internamento de 3 semanas no hospital, com direito a traqueostomia;

 

Fim Dezembro 2010 - Fevereiro 2011: Novamente 33 sessões de radioterapia na dose máxima, acompanhadas de 3 sessões de quimioterapia concomitante (cisplatina).

 

Fim de Maio 2011: Fase de exames. Ressonância magnética, ecografia e análises ao sangue. Tudo normal. Entrei em remissão completa (i.e., neste momento não há nenhum sinal que a doença esteja presente). WEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!!!

 

Agosto 2011: Terceira recidiva. Gânglio linfático cervical (na nuca) e nódulo de cerca de 1cm no pulmão.

 

Setembro 2011: 6a operação, para retirar o gânglio cervical com anestesia local. Seguiram-se 12 sessões de radioterapia que terminaram a meio de Outubro de 2011.

 

Outubro 2011: Novo scanner (TAC) de diagnóstico, confirmação do nódulo pulmonar com menos de 2cm e aparecimento de um novo gânglio linfático na região do mediastino.

 

Novembro 2011: 7a operação, para retirar o nódulo do pulmão. Seguem-se novos episódios de radio (e a possibilidade de quimioterapia não está fora de questão). E nos entretantos fui fazendo fisioterapia diária, para recuperar o pulmão e a mobilidade do braço e da omoplata esquerdos.

 

Dezembro 2011: Este mês foi bem preenchido. Começou com 14 sessões de radioterapia para tratar o gânglio linfático do mediastino. Lá para o meio fiz a 8a operação, para retirar um gânglio linfático pequenino no lado direito do pescoço, com anestesia local. Fui para o hospital às 11h e às 16h estava a apanhar o metro para casa... SEIS dias depois fui mais uma vez para o bloco operatório (9a operação) para instalação do cateter. O resto do mês passei-o a fazer fisioterapia todos os dias, a lidar com os efeitos secundários desta radio e a tentar enfardar os doces de Natal sem vomitar nem me engasgar.

 

Janeiro 2012: Logo no início do mês fiz um scanner (TAC) e um PETscan de diagnóstico. Aparecimento de um novo gânglio linfático no lado direito do pescoço e de uma zona inflamatória no osso (na mandíbula que ainda me resta). Diagnóstico provável para essa zona inflamatória: Ostéoradionecrose. Fun... Dez dias depois foi a minha 10a operação: esvaziamento cervical para retirar gânglios linfáticos do lado direito do pescoço e mais algumas coisinhas. Confirmação de uma quarta recidiva (hmmm... Acho que vou deixar de as contar...), 1 gânglio positivo em 9 retirados. Recomecei a fisioterapia diária no fim do mês, porque tenho o braço direito todo atravancado e uma contractura muscular pas possible...

 

Fevereiro 2012: Depois de algumas complicações relacionadas com uma infecção da cicatriz, fiz finalmente as 14 sessões de radioterapia para tratar a zona operada em Janeiro (lado direito do pescoço). Continuo com fisioterapia de 2a a 6a e com dores nas costas e no pescoço.

 

Maio 2012: Dois TACs confirmaram a quinta recidiva, um gânglio no mediastino e um nódulo no rim. Fui também operada (11a operação) a um nódulo cervical, que afinal era "só" um quisto, benigno! Primeira boa noticia no espaço de um ano.

 

Junho 2012: Primeiras abordagens à possibilidade de participar num ensaio clínico: *Fail* Possibilidade de beneficiar do tratamento por CyberKnife, o ultimo grito de radioterapia: *Fail* Dores persistentes no joelho levaram-me a pedir ao meu médico para fazer uma radiografia. Descoberta de metástases nos dois fémures. 12a operação ao fémur esquerdo, consolidação do osso com um tubo de titânio e dois parafusos (http://en.wikipedia.org/wiki/Intramedullary_rod).

 

Julho 2012: Depois da operação, descoberta de mais metástases na zona do mediastino e abdominal. Possibilidade de participar num outro ensaio clínico. Estava quase a ser aceite quando decidi fazer um TAC cerebral, e de seguida uma ressonância, que confirmou uma metástase cerebral de cerca de 1cm. Fui rejeitada do ensaio clínico.

 

Agosto 2012: Inicio da quimioterapia (carboplatina + taxol). Fiz dois ciclos durante este mês.

 

Setembro 2012: Tratamento da metástase cerebral por Radiocirurgia (GammaKnife). Dez dias depois fui internada de urgência em Cardiologia com liquido no pericárdio. Acabaram por me drenar (13a operação!) e retirar 2 litros (!) de liquido. Uns dias depois fiz mais um ciclo de quimioterapia.


Tenho acompanhado todos os teus posts e fico sempre à espera de mais algum. Aprecio a tua força de viver e desejo ainda mais doses de saúde e energia.

Beijinho :)
Light a 3 de Abril de 2011 às 18:11

Muito obrigada cor bege! Um beijinho*
Silvina a 5 de Abril de 2011 às 15:38

Caramba, tomamos tanta coisa como garantida... Já passaste por muito. Espero que esses exames (devem estar próximos) sejam o mais animadores possível. Muita força.
eu a 24 de Maio de 2011 às 23:25

E foram, eu, foram mesmo! Ainda nem estou em mim! Obrigada pelo comentário, um beijinho*
Silvina a 28 de Maio de 2011 às 22:59

Ola eu estou com carcinoma indiferenciado vou fazer 35 sessões de radioterapia no pescoço e 3 quimioterapia, ja fiz uma quimio e 9 radio, perdi o paladar e estou dessesperada, é muito ruim comer sem paldar. Vc perdeu o paladar?
Rosiane a 5 de Agosto de 2011 às 13:29

Ola tenho carcinoma indiferenciado, vou ter que fazer 35 radio no pescoço e 3 quimioterapia, ja fiz uma e 9 radio, perdi o paladar e esta muitoooooooooooo dificil para mim ficar sem paladar, vc perdeu o paladar tb?
Rosiane a 5 de Agosto de 2011 às 13:31

Olá Rosiane,
No meu caso o paladar alterou-se. As clementinas e o chocolate (que adoro) sabiam a azedo, fiquei intolerante a alguns sabores (não aguentava sal nem picante) e tinha muitas aftas na boca. O que te posso dizer é que é passageiro. Dois a três meses depois do final da radio vais ver que o paladar volta ao normal. Agora é difícil , mas pensa que tudo vai voltar ao normal no futuro. Coragem para as sessões que te restam! Um beijinho*
P.S.- Já agora, o teu cancro é onde?
Silvina a 5 de Agosto de 2011 às 14:09

na hinofaringe, esta muito dificil me alimentar sem o paladar, tem hora que da um dessespero.
Rosiane a 5 de Agosto de 2011 às 16:51

me parece que é na rinofaringe, carcinoma de celulas indiferenciadas.
mas esta muito dificil se alimentar sem o paladar, nossaaaaaaaaa.....
e ainda tenho medo de não voltar ou demorar muito para voltar.....
rosiane a 5 de Agosto de 2011 às 16:53

Durante a fase de tratamento é preciso focarmo-nos no mais importante: fazer tudo o que for possível para que os tratamentos corram bem, para o nosso corpo estar em boa forma (a possível), para alcançar a cura. E fazer tudo o que for possível exige continuar a alimentar-se mesmo que custe muito! Força Rosiane! Fala com o teu médico, para ficar mais descansada em relação ao regresso do paladar.
Na primeira radioterapia que fiz em 2009/2010 o meu médico disse-me que poderia durar um ano e afinal foram só dois meses! E desta segunda radioterapia fiquei quase 6 meses a comer só líquidos. Pensei que nunca mais ia conseguir comer normalmente, mas aos poucos fui conseguindo...
Dá tempo ao tempo, em principio isso são só efeitos secundários que mais cedo ou mais tarde VÃO PASSAR.
Um beijinho* e coragem!!!
Silvina a 5 de Agosto de 2011 às 18:32

Como vc conseguiu ficar 6 meses só tomando liquidos, o que vc tomava, eu tb só estou tomando liquido mas estou desesperada ja, isso porque fiz só nove sessões de radio e uma de quimio....
Rosiane a 7 de Agosto de 2011 às 21:56

Pois, não foi nada fácil, não vou mentir... Ao principio só comia sopa, depois comecei a perceber que não chegava, que não ingeria as calorias suficientes... Então comecei a passar a comida no copo de batidos ou com a varinha magica. Até lasanha de queijo e espinafres passei! ;) O problema é a textura da comida, porque a maioria das coisas me magoava a garganta, ao ponto de ir às lágrimas. E acho que começou a custar por volta dessa altura, no final da 2a semana de radio depois da primeira quimio. Experimenta beber batidos, leite, pêra, banana (se não for muito acido para ti), batido de papaia também bebia. Põe açúcar ou mel no batido, ou esmigalhe bolachas, assim ingeres mais calorias. Eu também bebia umas bebidas energéticas da farmácia, chamadas Fortimel, existe de vários sabores e são bastante calóricas, 300 calorias cada garrafinha. Eu só consegui aguentar tanto tempo a comer líquidos porque tinha a esperança de um dia voltar a comer normalmente. E isso aos poucos aconteceu. No final de abril consegui voltar de novo a mastigar e a engolir coisas com texturas suaves e húmidas, por exemplo, lasanha sem muitos temperos, massa mt cozida com natas e coisas assim... Claro que demorava horas a comer! Mas aos poucos a coisa foi melhorando. Pensa que é só uma fase! E daqui a 2 meses no máximo vais conseguir voltar a comer normalmente!!! Força! Um beijinho*
Silvina a 7 de Agosto de 2011 às 23:12

me parece que é na rinofaringe, carcinoma de celulas indiferenciadas.
mas esta muito dificil se alimentar sem o paladar, nossaaaaaaaaa.....
e ainda tenho medo de não voltar ou demorar muito para voltar.....
Rosiane a 5 de Agosto de 2011 às 16:56

Silvina,
Ao ler a tua história, o meu primeiro pensamento foi que és uma heroina. Passar por tanto sofrimento e conseguir manter o espeirito positivo e ter força para partilhar a tua história.
Força e continua a sorrir!
Beijinhos
Heidi
www ilusaodoparaiso.blogspot.com
Anónimo a 26 de Novembro de 2011 às 22:06

Olá Heidi, obrigada pelo teu comentário e pela força, um beijinho com um :) também para ti!
Silvina a 28 de Novembro de 2011 às 15:36

Revolta-me muita coisa... mas mais do que o facto de existirem doenças, revolta-me o facto de existirem formas MODERNAS de tratamento dessas mesmas doenças, ao alcance de um país que prefere comprar DUAS latas de sardinhas que andam a boiar no Atlântico, ao invés de investir em aparelhos deste tipo: http://aeiou.expresso.pt/radioterapia-que-elimina-tumor-numa-so-sessao-chega-a-portugal=f686380 (eu que sou uma pessoa informada não sabia da existência desta tecnologia). Espero que um dia, quando eu tiver cancro (prevejo-o...) PELO MENOS esta máquina esteja disponível em todos os Hospitais oncológicos. E não me venham falar de crise... É uma questão de prioridades.

Um abraço enorme. Eu não teria a tua coragem.
Marco Lopes a 3 de Dezembro de 2011 às 01:07

Olá Marco, obrigada pelo teu comentário. Se o assunto te interessa, há formas (concretas) relacionadas com o estilo de vida que ajudam a prevenir o cancro no futuro. Informa-te. Começa com o livro "Anticancro" do David Servan-Schreiber.
P.S.- Acho que terias a minha coragem sim... :)
Silvina a 4 de Dezembro de 2011 às 16:06

IMPRESSIONANTE!! Fiquei tão comovida. És uma vencedora. São pessoas como tu que me fazem recordar porque vim para Medicina. A maior sorte do mundo!!
Angela a 6 de Dezembro de 2011 às 20:37

Olá Ângela, acredita que depois disto tudo já estou bem calejada. Até houve um médico que há pouco tempo me perguntou se eu era médica ou investigadora em medicina... eheh
Se hoje pudesse mudar os meus sonhos de menina também teria ido para medicina. é espectacular :) Muita sorte também para ti, e um beijinho*
Silvina a 9 de Dezembro de 2011 às 17:20

fogo, és fantástica... forçaaaaa!!
VR a 5 de Fevereiro de 2012 às 15:55

Obrigada VR :)
Um beijinho*
Silvina a 7 de Fevereiro de 2012 às 01:18

Depois de ter acompanhado a doença oncologia do meu pai e da minha mãe, ( já não se encontram cá ), deixo uma palavra de animo, força, resistência e muita mas muita ENERGIA POSITIVA.
Vitah a 2 de Março de 2012 às 10:33

Obrigada Vitah! Energia positiva é sempre bem vinda :)
Um beijinho*
Silvina a 4 de Março de 2012 às 22:32



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