As rádios emitem em várias frequências. Estes episódios, contudo, situam-se numa frequência diferente, não uma de rádio, mas de radio. Como em Radioterapia. Episódios de um tratamento oncológico (à suivre)
Domingo, 19 de Junho de 2011

As vezes até me arrepio ao ler certas noticias, como por exemplo esta (publicada no Portal de Oncologia Português):

 

Identificados factores que apontam probabilidade de cura em terapia de cancro recorrente

Investigadores do Duke Cancer Institute, nos EUA, descobriram uma forma de identificar doentes com cancro de cabeça e pescoço recorrentes que podem beneficiar de doses adicionais de quimioterapia e radioterapia. A descoberta vai evitar que muitos doentes sejam submetidos a intervenções que podem aumentar o sofrimento, não prolongar a vida ou levar à morte, avança o portal ISaúde.

"A segunda fase do tratamento é difícil. Então estávamos a procurar preditores de quem é capaz de se sair bem com essa segunda rodada de tratamento para tentar poupar as pessoas de efeitos secundários desnecessários", disse o autor do estudo, Joseph K. Salama. O cientista e os seus colegas analisaram dados de 166 doentes submetidos a quimioterapia intensiva e radiação para tratar tumores recorrentes.

A segunda rodada de tratamento é potencialmente fatal, mas fornece uma cura de dois anos para cerca de 25% dos pacientes. A equipa identificou quatro características que se correlacionaram com melhores resultados derivados da repetição do tratamento.

Um dos factores mais importantes era saber se os doentes receberam a quimioterapia e a radiação quando os seus tumores apareceram pela primeira vez. Os pacientes que receberam apenas radiação tinham uma probabilidade muito melhor de sobreviver com a segunda a terapia da combinação do que aqueles que recebem radiação e quimioterapia como tratamento primário.

Segundo Salama, pode ser que os tumores recorrentes tenham desenvolvido resistência a partir do curso inicial da quimioterapia, anulando os benefícios do tratamento.

Os pacientes também tinham uma melhor probabilidade de cura com a segunda rodada de tratamento se eles tinham um longo período de remissão antes de o tumor reaparecer; se podiam suportar uma alta dose de radiação durante a repetição da terapia; e se podiam submeter-se a uma cirurgia para remover parte ou a totalidade do novo tumor.

Os resultados foram melhores entre os pacientes que preencheram os quatro critérios, com 63% sobrevivendo por pelo menos dois anos. "O tratamento é potencialmente curativo, mas é bastante tóxico, por isso, quando alguém está embarcando este tratamento, eles precisam ser orientados de forma adequada", disse Salama, observando que a intervenção pode diminuir a qualidade de vida.

De acordo com o cientista, a terapia pode danificar a boca e esófago, e a maioria dos pacientes perdem a capacidade de engolir alimentos sólidos, necessitando de um tubo de alimentação.

A caixa de voz também pode ser danificada, tornando os pacientes mudos. 20% dos pacientes no grupo de estudo morreram como resultado do tratamento. "Podemos escolher quem melhor pode se beneficiar deste tratamento, descoberto isso, precisamos oferecer novas e melhores opções de tratamentos ", disse Salama.

2011-06-15 | 11:58
Expressões como "sobreviveram pelo menos dois anos", "20% dos pacientes no grupo de estudo morreram", "a maioria dos pacientes perdem a capacidade de engolir alimentos sólidos", e sobretudo esta: "A segunda rodada de tratamento é potencialmente fatal, mas fornece uma cura de dois anos para cerca de 25% dos pacientes", são muuuuuuuito assustadoras, quando me revejo nisto e me ponho no lugar destes pacientes.
Portanto, fiz um segundo ciclo de tratamentos, onde 20% das pessoas morrem do tratamento (clássico é pior a emenda que o soneto) e onde só 25% dos casos têm uma cura de dois anos. WTF?! E os outros 75%???? Bye, bye ao fim de dois anos e meio?
A sério, desta vez não me dei ao trabalho de averiguar a origem do estudo nem de ler o abstract e as conclusões, porque às tantas já não quero saber. Já não posso mais ouvir percentagens, estatísticas, que a maioria das pessoas que passaram o que eu passei ficam estropiadas para a vida, e que essa vida dura em média dois anos no máximo. Eu já não consigo quase funcionar no dia-a-dia, não preciso de cábulas para me lembrar que daqui a dois anos posso não estar cá. Enough is enough, merda.
publicado por Silvina às 23:55


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