As rádios emitem em várias frequências. Estes episódios, contudo, situam-se numa frequência diferente, não uma de rádio, mas de radio. Como em Radioterapia. Episódios de um tratamento oncológico (à suivre)
Domingo, 09 de Outubro de 2011

Amanhã começa a terceira e última semana de radio. Não me tenho queixado muito porque realmente está tudo a correr muito bem. Todos os dias vou (e volto) de bicicleta para o hospital, o que me permite exercitar estas perninhas e evacuar um bocado as tensões, especialmente na volta. Esta radio é soft: para além de perda de cabelo definitiva na zona irradiada e da pele vermelha, sinto um bocadinho de comichão na cicatriz e mais nada. No total são 12 sessões. Faltam 3 para acabar, e o gânglio fica tratado. A dificuldade continua a ser a sala de espera, as idas diárias ao hospital, o peso de tudo isto e as poucas oportunidades para aligeirar a coisa. Vejo gente muito triste na sala de espera, pessoas idosas e doentes, frágeis, sós. E custa-me, porque é como olhar ao espelho. é um reflexo constante de onde estive e para onde muito provavelmente vou. é a doença que me custa, não as pessoas que dela sofrem, que coitadas, não têm culpa nenhuma. Mas não consigo fazer conversa, o sorriso não se desenha facilmente, o riso não flui. é um ambiente pesado e por isso, para lhe escapar, tenho esperado no corredor, a ouvir música ou a ler um livro.

 

A minha sofrologista diz que ando a aprender a bastar-me a mim própria. Quando tenho um momento difícil, uma má noticia, em vez de pegar logo no telefone para desabafar com alguém, páro, lembro-me de respirar, choro um bocado e consigo gerir as coisas sozinha. é como um olhar profundo para dentro. Ando cada vez com menos medo do confronto. Gosto de sentir-me mais à vontade comigo mesma, de saber que consigo gerir as coisas sem pedir ajuda a ninguém, por mais difíceis que elas sejam, por mais difíceis que elas se tornem. Porque os outros têm limites, e eu também, mas ando a aprender a expandi-los. E em vez de andar a pedir força emprestada aos outros, encontro-a em mim. Os meus limites são elásticos, e caminham para a frente ao meu ritmo.

 

publicado por Silvina às 22:15


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Faz por estes dias um ano que recebi um postal de ...
Tens-me feito tanta falta...beijinhos, muitos muit...
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