As rádios emitem em várias frequências. Estes episódios, contudo, situam-se numa frequência diferente, não uma de rádio, mas de radio. Como em Radioterapia. Episódios de um tratamento oncológico (à suivre)
Terça-feira, 13 de Março de 2012

"J'ai decidé de guérir. Et puis voilà."
In: Au coeur du combat

 

 

Ontem fui ver este documentário. Sai de lá quase em choque, e caminhei sem rumo pelas ruas de um 15ème arrondissement que não me é de todo familiar. Não sabia o que pensar, não sabia o que sentir. Tudo tão familiar. Eu sou cada uma daquelas 6 historias de cancro. Eu soube imediatamente desde o inicio do filme qual o doente que não se ia safar. Pelos seus olhos tristes, pelo medo (terror?) nos seus olhos e nos olhos da sua esposa. As vezes preferia ser mais insensível, mais obtusa, mas não sou e ando a aprender a viver com isso.

 

Não consigo mais ver pessoas doentes e ficar indiferente. Não consigo mais fechar os olhos ao sofrimento e pensar: "eu de qualquer maneira não posso fazer nada por eles, hão-de ter pessoas da família que os ajudem". Não é verdade. Muitos não têm. Eu posso fazer mais. Eu devia fazer mais. Qual o sentido de passar eu por tanta coisa, por tanto sofrimento e não o poder partilhar? Não o poder usar para ajudar alguém? As vezes sinto que tenho esse dever. Que devia mudar a minha vida toda e não deixar passar esta oportunidade de me abrir aos outros, de partilhar, de tentar trazer algum conforto aos que sofrem, porque vale sempre a pena.

 

Qualquer esforço vale a pena, olhar para o lado e fingir que o sofrimento não existe é que já não dá; já não consigo ficar indiferente, já não consigo pensar que não é comigo. Que a miséria do mundo não é comigo, que a fome, a sede, a provação, as cicatrizes, a dor, a angustia, o medo e o desespero não são comigo. Por ter passado tudo isso sei que é comigo. Não sei se vou ter a coragem de fazer alguma coisa a sério quanto a isso, de agir. é complicado imaginar-me o resto da vida rodeada de pessoas doentes e com o sofrimento a entrar-me pelos olhos adentro diariamente. é demasiado intimo, demasiado pessoal. Dentro desde Robocop há um coração que bate, e que às vezes se desfaz em pequenos cacos emocionais. Não sei se terei a coragem de olhar o sofrimento de face, de o desafiar todos os dias da minha vida. à suivre...

 

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Artigo no Le Monde sobre este documentário:

"Au cœur du combat" : plongée en eaux calmes dans le quotidien du cancer

 

 

 

Trailer:


publicado por Silvina às 14:22

a não perder, portanto.
a ver se consigo ver...
Monóloga a 13 de Março de 2012 às 21:58

Não vai ser fácil, mesmo cá em Paris só o apanhei em exibição numa sala :/
Mas tenta ver, está bem feito e bem filmado.
Um beijinho*
Silvina a 16 de Março de 2012 às 16:17

:S
Monóloga a 16 de Março de 2012 às 20:25



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