As rádios emitem em várias frequências. Estes episódios, contudo, situam-se numa frequência diferente, não uma de rádio, mas de radio. Como em Radioterapia. Episódios de um tratamento oncológico (à suivre)
Sexta-feira, 25 de Maio de 2012

No fim-de-semana passado fui ao Marché aux Puces, uma espécie de feira da ladra mas em grande. Estava a chuviscar e depois de cafezar com umas amigas meti-me a caminho para apanhar o metro. Às tantas passa por mim um dread e diz-me: "Fais pas la gueule !" (pode ser traduzido por "não estejas de trombas", ou "não faças essa cara de má"). De repente cai em mim e desatei-me a rir. Deve ser por isso que ninguém (leia-se, gajos) se mete comigo na rua, devo andar com cara de pau o tempo todo... O dread tem toda a razão, é preciso descontrair, sorrir mais...

 

Os dreads estão fartos de me entregar mensagens subliminares em Paris.

 

Uns dias mais tarde estava eu a andar de bicicleta, com a minha mochila e o colete reflector amarelo (sexy time!), mas de saltos altos. Lembro-me de nesse dia ter pensado que me doíam as costas e que gostava de ter um corpo desportivo, com músculos, que se mexesse bem e sem dor. Pouco depois abrando para ultrapassar um camião que estava parado à frente de um supermercado, e o rapaz (dread) que estava a descarregar os caixotes olhou para mim e disse: "T'es sportive quoi !" ("és desportista!" -o quoi é uma marca do discurso de um dread). Lá está, o Universo a responder às minhas angústias através das bocas dos dreads...

 

Acho que os dreads de Paris têm uma classe incrível. Não há cá bocas fatelas, só pérolas de boa educação dreadiana. Outro exemplo: aqui há uns anos (estou velha) estava a passear ali na zona de Les Halles a comer uma maça quando um dread sentado num banco de jardim me chama: "Eh, mademoiselle, mademoiselle !" E eu penso: "pronto, lá vem este dizer que gostava de me partir toda ou outra coisa assim poética como oiço em Portugal..." Abrando e educadamente pergunto-lhe: "Sim?" Ele ri-se e responde-me: "Bon Appétit !". Chapada de luva branca bem dada, que me fez engolir os preconceitos. Nunca mais me esqueci disto.

 

 

[imagem via blog Monologando]

publicado por Silvina às 23:58
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fizeste-me sorrir agora...
Monóloga a 26 de Maio de 2012 às 01:00

E a mim arrancaste-me umas boas gargalhadas.
Tenho muitas parecidas com o teu episódio "das trombas" e quase sempre quando estou parada no trânsito, o que não abona muito a meu favor! lololol
Soneca a 26 de Maio de 2012 às 01:25

Eu também sorri, quando li o teu ultimo comentário no meu blogue. Estou ansiosa pela surpresa. Vamos dar boas gargalhadas.

Beijinhos
Susana Neves a 26 de Maio de 2012 às 07:33

Agora fizeste-me lembrar uma música de que gosto imenso - Smile, Nat King Cole - além de me fazeres sorrir.
Concordo com esse dread: sorrir é bom! Eu sou uma crente ferrenha nas virtudes benfazejas de um sorriso, para os outros mas também para nós próprios :-)))
Zu a 26 de Maio de 2012 às 14:45

Que história deliciosa! Devíamos importar desses dreads para Portugal... faziam-nos falta! Eu bem digo que este blogue dava um livro - dos bons ;) Beijinho
EU a 26 de Maio de 2012 às 22:36



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