As rádios emitem em várias frequências. Estes episódios, contudo, situam-se numa frequência diferente, não uma de rádio, mas de radio. Como em Radioterapia. Episódios de um tratamento oncológico (à suivre)
Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2012

Ainda a propósito do S. Valentim, dei-me conta que me irritam os artigos em revistas e em sites sobre cancro que ao falarem nos problemas de sexualidade do doente oncológico só se pronunciam sobre aqueles doentes que estão casados ou em casal. Ah e tal, "fale com o seu parceiro", "seja sincero", "seja aberto e partilhe os seus medos e angústias em relação ao seu corpo", etc., etc. Ora tudo muito bem se existe amor e se o casal estiver junto há tempo suficiente para se conhecer muito bem e se amar mais ainda. Bons conselhos para aqueles que se encontram efectivamente... em casal!

 

Mas ninguém fala dos pobres desgraçados com cancro que estão solteiros, e portanto sujeitos a um engate esporádico, ou, pior, a um qualquer ritual de engate e enamoramento que torna essa questão da articulação de "cancro" e "sinceridade" muito mais difícil. Ninguém quer ouvir num primeiro encontro historias de cancro. E ninguém com cancro quer ter que explicar num primeiro encontro porque é que não tem uma mama ou porque é que não tem parte do maxilar e em consequência disso se encontra impedido de beijar normalmente (e por ai fora, sendo que "por ai fora" é uma metáfora para sexo oral).

 

Este ano abominei ainda mais o S. Valentim por isso mesmo. Pela falta de diálogo sobre problemas como este, pela falta de compreensão e sobretudo, pela falta de soluções concretas.

publicado por Silvina às 23:11
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Quarta-feira, 14 de Dezembro de 2011

"Diz-se que um aniversário é uma celebração da vida e, apesar disso, ninguém celebra. Ontem choravas de felicidade nessa celebração, festejavas o estares viva e pouca gente saberia isso. Ninguém percebeu que aquele momento era o firmar de uma ressurreição, aquela que, só por ser para ti, eu até acredito. Ninguém entendeu que era um renascimento, uma vitória e uma prova de resiliência."

 

 

No This is not simply a Methaphore. Clicar aqui para continuar a ler.

publicado por Silvina às 00:32
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Segunda-feira, 15 de Agosto de 2011

via O Amor é Um Lugar Estranho

 

chorei muito entre os minutos 3:35 e 8:18, na historia de Alberto Melo e Hélène.

 

"...a minha felicidade actual deve-se a essa experiência de partilha, partilha de tudo, partilha de vida, partilha de morte. Quem tem medo da morte no fundo também são as pessoas que têm medo da vida, e também têm medo do amor, porque têm medo de sofrer"

 

publicado por Silvina às 23:29

Domingo, 02 de Janeiro de 2011

Ainda hoje não sei o que se passou. Como se aceleraram as coisas, como se criou esta distância entre nós. E cada vez que penso nisso, cada vez que me dói a pensar nisso, zango-me por não perceber, por não ter chegado lá. Foi o medo? Foi o sentimento que não era suficiente? Foi a minha situação complicada?

Junto com as lágrimas sei que não fiz mal em tentar. Que deitei fora o medo de sofrer, de ser magoada, e decidi ir em frente. Arriscar, porque a vida sem isso não faz sentido. A vida sem amor e partilha não faz sentido. E se para isso é preciso sofrer, então está bem. Esse sofrimento eu aceito.

E agora tento chorar tudo, para da próxima vez também não ter medo. E conseguir voltar a arriscar sem ficar fechada à entrega por mais 10 anos. Voltar a tentar, voltar à vida.

publicado por Silvina às 17:29
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Terça-feira, 14 de Dezembro de 2010

E por falar em visitas, esperam-me 4 dias maravilhosos de romance. Depois, se estiver inspirada, talvez faça um post que gire à volta de tópicos como:

 

cancro - pós-operatório - sexualidade - lidar com um corpo doente - amor.

publicado por Silvina às 14:18

Terça-feira, 23 de Novembro de 2010

Aqui há tempos escrevi isto, post que obteve um certo sucesso no mundo restrito de posts bem sucedidos deste blog. Um dos primeiros comentários dizia:

 

O Amor é mesmo isso, o não poder garantir nada seja em que circunstância e quando é verdadeiro resiste a tudo, embora nem sempre facilmente.

O que posso dizer mais? Se tiveres de encontrar o homem da tua vida nesta fase acredita que vais encontrar e ele vai estar sempre contigo, apesar das tempestades. Só um conselho, deixa de o idealizar :) e surpreende-te com aquele que à partida não encaixaria no perfil que desenhaste.

 

Querida Susana, devo dizer-te que tens uma costela sibilesca, pois foi exactamente isso que aconteceu, deixei-me surpreender. Quando menos esperava, num sitio ainda menos prometedor, encontrei-o. E foi um flash quase imediato. E os ideais (gozões) que descrevi no post saíram-me todos ao contrário e hoje digo ainda bem!

No fundo, quando escrevi o 1.° Cancro e engate estava a falar de flirts mesmo, engates, dates, primeiros encontros, jantarinhos a dois à luz das velas, essas coisas. Mas o cancro altera a ordem de tudo; e a velocidade de tudo. E ainda mais no fundo, o cancro assusta, assusta a pessoa que acabámos de conhecer, mas o medo é sempre inferior ao amor, submete-se a ele e não o contrário - lá está, "quando é verdadeiro".

E outra coisa que o cancro estranhamente traz ao sentimento amoroso é serenidade. Vive-se o dia-a-dia, depressa ambos compreendemos que é isso que importa. Que se/quando ultrapassarmos esta prova difícil, o resto está lá, esperançoso e promissor, horizonte de felicidade com saúde.

 

(E ele vai estar sempre comigo, apesar desta enorme tempestade.)

publicado por Silvina às 15:04

Segunda-feira, 30 de Agosto de 2010

Ora aqui está um tema sensível. Como conjugar cancro e engate?

 

Há muita gente com cancro que não tem marid@, namorad@ nem encontrou ainda o amor. Como é que se conhece a pessoa da nossa vida e a convencemos a ficar connosco, porque brincar ao cancro até pode ser divertido? Como é que se arrasta outra pessoa, que à partida não tem nada a ver com o assunto, para se tornar no 3°elemento da equação (cancro-doente-parceiro)?

Digo muitas vezes que não tenho coragem de arrastar um gajo para isto. O que é que lhe posso dizer: "Olha querido, não posso ter filhos nos próximos anos, não faço ideia das montanhas russas que ainda me esperam, mas pronto olha gosto de ti, vamos a isto?" Não posso garantir nada. What you see is what you get, com todas as cicatrizes à mistura, cicatrizes que esse alguém terá que beijar, tocar, gostar. Quando eu própria não gosto, evito tocar e... bom, beijar está fora de questão, ainda não me consigo beijar a mim própria no pescoço.

Já para não falar do corpo cansado, pouco dado às maluquices dos primeiros encontros, às maratonas de sms noite fora, outro tipo de maratonas mais marotas, à impossibilidade de viajar, decidir datas, sonhar em conjunto ou fazer planos (a médio termo). Ao menos posso fazer planos no imediato à vontade, na base do "o que é que me apetece fazer hoje?".

 

Apesar disto tudo idealizo o homem ideal para o meu eu com cancro: médico, humanitário, loiro vindo de um país do Norte da Europa. Vou ali ao Sudão e já volto.

publicado por Silvina às 17:07


Ando obcecada com aproveitar a vida. Quero fazer uma tatuagem ainda este ano, e também ando obcecada com homens. Assim, no plural. Eu sei que não devia, que não é suposto, que não me faz bem fazer tantos filmes (especialmente com pessoas do sexo masculino inatingíveis ou moralmente proibidas), mas simplesmente não consigo evitá-lo. Ando com ânsia de viver a vida toda, já. Porque não se sabe o amanhã, poderá nunca haver amanhã; e depois, se eu me tatuar ou flirtar com gajos inatingíveis, qual é o problema?

 

 

 

(sim, sim, é capaz de ser estúpido... mas...)

publicado por Silvina às 10:25
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