As rádios emitem em várias frequências. Estes episódios, contudo, situam-se numa frequência diferente, não uma de rádio, mas de radio. Como em Radioterapia. Episódios de um tratamento oncológico (à suivre)
Segunda-feira, 18 de Junho de 2012

Entrevista de Naide Gomes à revista Visão, sobre a sua carreira:

 

 

 

" ... Na pista, mesmo nos treinos, Naide perde o sorriso. E o seu olhar ganha intensidade, quando se concentra nos exercícios de corrida ou tenta apurar o momento decisivo do salto. "Agora, só espero que as lesões me deixem lutar pelo meu sonho, porque vou mesmo lutar por uma medalha nos Jogos Olímpicos."

 

Poucos dias depois dessa conversa, chegou a desilusão. No sábado, 9, na corrida para mais uma prova de salto em comprimento, o seu pé não resistiu. Anos e anos de esforço voltaram a pagar fatura. Rutura do tendão-de-aquiles - chegou, rápido, o diagnóstico. E depressa se tomaram decisões: operação cirúrgica para resolver clinicamente a lesão e o fim do sonho olímpico, em termos desportivos. Aos 32 anos, Naide Gomes confessou, poucas horas após o infortúnio, estar "de rastos". Mas, logo a seguir, usou a sua página do Facebook, para anunciar que promete "nunca desistir". (...)"

 

Artigo completo AQUI.

publicado por Silvina às 13:26


Visão.pt

Não morri

Se tivesse morrido nesse dia, faltava uma grande quantidade de acontecimentos enormes na minha vida
José Luís Peixoto
hoje às 10:40
 

Não tenho memória, pequena ou grande, do momento em que decidi levantar-me da toalha. Estaria talvez a prestar atenção a qualquer outro pensamento, mas levantei-me da toalha e, de certeza, caminhei até à água. A minha memória começa no momento em que estava com água pelos joelhos.

 

Ao longo da minha vida, tenho estado em muitas praias, poucas de beleza mais extravagante do que aquela. Natureza a encontrar-se com natureza. De um lado, a natureza-água, mar com a cor certa, a temperatura certa, horizonte lá longe, no limite; do outro lado, a natureza-terra, areia limpa, dunas, sons comparáveis ao silêncio; por cima, a natureza-céu e, já se sabe, céu é céu, justo. Eu e o Milagre éramos as únicas pessoas em toda a praia. As únicas pegadas na areia eram nossas.

 

Quando me levantei da toalha, devo ter-lhe perguntado se queria vir. Se o fiz, ele deve ter respondido que não. Especulo porque, como disse, a minha memória começa já com água pelos joelhos. Depois, sem dar um passo, ainda a ambientar-me, já tinha a água pela cintura. Depois, sem me mexer, chegava-me à barriga, ao peito, aos ombros e, de repente, não tinha pé e estava a nadar o mais depressa que podia contra a corrente que continuava a levar-me para longe da areia.

 

Na minha família, faço parte da primeira geração que aprendeu a nadar. Nunca fui grande nadador. Aprendi tardiamente num tanque de rega que me chegava à barriga quando estava cheio e que acabava após duas braçadas. Nunca fui capaz de deitar-me de costas e boiar, ainda não sou. Invariavelmente, as pernas começam a afundar-se e, com elas, o corpo inteiro. Por isso, naquele dia, enquanto nadava contra a corrente, desconfiava das minhas capacidades. Sem estilo, quando me esforçava ao máximo, conseguia não me afastar durante um instante; mas eu não era capaz de aguentar o máximo do meu esforço por muito tempo. O mar tinha decidido que me queria.

 

Quando deixei de saber o que fazer, comecei a gritar. À distância, o Milagre continuava na sua pausa, impávido, deitado na toalha. A corrente anulava-me o esforço e as ondas anulavam-me os gritos ao lançarem-se sobre a areia. Então, chegou o momento em que aceitei o que me estava a acontecer. Pensei: que inglório. Eu estava a nadar com toda a força, mas esse foi um momento de grande serenidade, em que pensei: que inglório, tanta coisa para isto, tantas preocupações, tantos sacrifícios, tantas ilusões para isto. E senti o quanto era ridículo e vão aquele que eu julgava ser. Afinal, não era tudo o que imaginava. Afinal, era apenas um sopro. E senti uma pena profunda por desaparecer o amor que sentia por aqueles que nunca mais voltaria ver, a minha família, de quem não me tinha despedido e a quem daria um desgosto enorme. Que triste e inglório. Aquela ida à praia, simples e inconsciente, iria definir-me para sempre. Aquele momento podia ter sido evitado de tantas formas mas, ali, já não podia ser evitado, era real. Eu ia morrer.

 

Eu ia morrer? Perante essa certeza, como nos filmes, já sem pensar, nadei o mais que pude, para lá da exaustão, a ignorar a exaustão e o corpo. Não sei como, mas houve uma trégua na corrente, talvez o mar se tenha comovido com o meu esforço, e consegui avançar. Cheguei à areia, como um náufrago, a cambalear e fiquei deitado de costas durante muito tempo, até conseguir recuperar o fôlego.

 

Foi há doze anos. Muitas vezes, parece-me que este tempo desde então é um bónus. Se tivesse morrido nesse dia, faltava uma grande quantidade de acontecimentos enormes na minha vida. Não vou enumerá-los. Agora, aqui, seriam como montanhas e basta-me a sua sombra para me embargar a voz.

 

Conheço pessoas que morreram. Ao contrário de mim, morreram mesmo. Todos os dias passa tempo que não é testemunhado por elas. Os seus olhares ficaram parados numa data que se afasta cada vez mais. Nós, que conhecemos essa pessoas, que partilhámos um tempo que continha a sua presença, estamos aqui e podemos avaliar o tamanho da sua falta. Assim, da mesma maneira, devíamos ser capazes de perceber toda a dimensão disto: o nosso nome ainda nos pertence, temos planos banais para amanhã.

 

Quando cheguei à toalha, ressuscitado ou renascido, expliquei ao Milagre o que acontecera. Ele continuou a olhar para mim com a mesma expressão e, depois de algumas frases, mudou de assunto.

publicado por Silvina às 13:13

Quarta-feira, 23 de Maio de 2012

 

 

 

 

 

 

Gosto de todas as fotos. Espero que estas pessoas estejam todas bem e em remissão.

 

(Mas para a próxima faço-me de convidada para dar a cara pelos JOVENS ADULTOS também vitimas deste tipo de cancro.)

publicado por Silvina às 04:14


Dia 30 de Maio o Grupo de Estudos do Cancro de Cabeça e Pescoço (GECCP) vai andar pelas ruas de Lisboa, Coimbra e Porto, a distribuir informação sobre o Cancro de Cabeça e Pescoço. A iniciativa terá lugar no âmbito do Dia Mundial Sem Tabaco, que se assinala dia 31 de Maio, e tem o apoio da Sociedade Portuguesa de Oncologia e da Ordem dos Médicos Dentistas, entre outras entidades.

«No dia 30 de Maio, das 08h00 às 10h00 e das 17h00 às 19h00, médicos e doentes vão distribuir cartões informativos sobre o Cancro de Cabeça e Pescoço, bem como um laço em formato PIN que representa internacionalmente a doença. Contamos com o apoio da Associação Portuguesa dos Limitados da Voz que nos vai ajudar a sensibilizar as pessoas para este problema», explica Jorge Rosa Santos, Presidente do GECCP.

 



Esta campanha de rua decorre em Lisboa, Coimbra e Porto nos seguintes locais:

Lisboa:
- Metro do Cais do Sodré
- Metro do Marquês de Pombal
- Metro do Terreiro do Paço
- Metro da Praça de Espanha

Coimbra:
- Largo da Portagem
- Rua Ferreira Borges
- Rua Visconde da Luz
- Praça 8 de Maio

Porto:
- Casa da Música (imediações)
- Trindade
- Campanhã
- Senhora da Hora

 

Noticia DAQUI.

publicado por Silvina às 04:00


Eu tinha 27 anos. Nunca fumei. Não bebia. Não tinha sintomas nenhuns. Só um altinho no pescoço:


 

 

 

O cancro de cabeça e pescoço mata 3 portugueses por dia. Todos os anos registam-se mais de 1.800 novos casos em Portugal, sendo 85% das vítimas fumadores ou ex-fumadores.

Um dos objectivos do Grupo de Estudos passa por promover comportamentos saudáveis e a prevenção de doenças como o Cancro de Cabeça e Pescoço que está intimamente ligada ao consumo de álcool e tabaco, bem como a uma fraca higiene oral.

 

Dores de garganta, dificuldade em engolir, rouquidão, placas brancas ou vermelhas na boca, podem ser o primeiro sinal de alerta.

 

Mais informações: Grupo de Estudos do Cancro de Cabeça e Pescoço (GECCP)

publicado por Silvina às 03:53


A importância de um diagnóstico feito a tempo:

 

 

 

 

O cancro de pescoço e cabeça mata três portugueses por dia e 68 mil europeus todos os anos.

 

Em Portugal é uma das patologias mais graves, nomeadamente pelo pelo diagnóstico tardio.

 

Profissionais da saúde de todo o país lançam agora uma das maiores campanhas de prevenção em parceria com os centros de saúde.

 

Mais informações: Grupo de Estudos do Cancro de Cabeça e Pescoço (GECCP)

 


publicado por Silvina às 03:17

Quinta-feira, 10 de Maio de 2012

 

Hospitais fazem diagnóstico gratuito ao cancro de cabeça e pescoço

 via POP

 

No próximo dia 16 de Maio, oito Hospitais organizam o “Dia Aberto”. Das 09:00 às 14:00, especialistas fazem um diagnóstico gratuito para despiste do cancro de cabeça e pescoço, avança comunicado de imprensa.

A iniciativa é promovida pelo Grupo de Estudos de Cancro de Cabeça e Pescoço (GECCP) e o presidente alerta: “o cancro da cabeça e pescoço mata três portugueses por dia, sendo 85% das vítimas fumadores ou ex-fumadores. Todos os anos detectamos cerca de 1.800 novos casos”.

“Todas as instituições estarão abertas, no mesmo dia, para assistir os doentes referenciados dos centros de saúde e médicos dentistas”, explica Jorge Rosa Santos.

“O nosso compromisso será dar seguimento, em tempo útil, aos doentes em que sejam identificadas lesões suspeitas. Queremos ajudar a tratar uma doença que, se detectada a tempo, tem possibilidade de cura”, diz Jorge Rosa Santos.

Centros que vão participar no “Dia Aberto”:

  • IPO Porto
  • IPO Coimbra
  • IPO Lisboa
  • Hospital Geral de Santo António
  • Hospital de Loures
  • Hospital de Évora
  • Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada
  • Hospitais Universitários de Coimbra



publicado por Silvina às 18:26

Sábado, 05 de Maio de 2012

RIP Adam Yauch, com um (cabrão de um) cancro da glândula salivar. Aos 47 anos. Diagnosticado em 2009 (como eu).

 

 

Há uns anos estive neste templo. Agora parece que foi numa outra vida...

 

 

Artigo do Público sobre a morte de Adam Yauch.

 

 

O Adam publicou um vídeo no Youtube a explicar a sua doença e os tratamentos que ia fazer. Gosto que se tratem as coisas pelos nomes, e que se diga "cancro da glândula salivar" em vez de "vítima de doença prolongada". Já está na altura de dar alguma visibilidade a estes cancros raros (que afinal não são tão raros como isso), e que continuam a matar.

 

 

- saltem para o min 0:28 até ao 3:42.

 

publicado por Silvina às 13:43

Domingo, 25 de Março de 2012

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Há uns tempos comecei a ler Tristano Morre, do Antonio Tabucchi. Li umas 10 páginas e tive que parar. é um daqueles livros intensos, em que cada página me fazia pensar durante 1h em temas difíceis desta vida. Encontrei citações assim desta categoria em cada parágrafo.

 

Lembro-me de na altura ter pensado: "como é possível que um escritor consiga falar assim da morte sem estar ele próprio a passar por isso?"

 

Não era possível. Antonio Tabucchi morreu hoje de cancro.

 

Foda-se para o cancro.

 

"A propósito de elefantes, de todos os rituais fúnebres que as criaturas deste mundo excogitaram, sempre admirei o dos elefantes, que têm uma estranha forma de morrer, sabias? Quando um elefante sente que chegou a sua hora afasta-se da manada, mas não o faz sozinho, escolhe um companheiro que vá com ele, e abalam. Avançam pela savana, muitas vezes a trote, depende da urgência do moribundo... e caminham, caminham, podem fazer quilómetros e quilómetros, até o moribundo decidir que é ali que ele quer morrer, então dá umas quantas voltas e traça um círculo, porque sabe que chegou a hora de morrer, leva a morte dentro de si mas tem de colocá-la no espaço, como se se tratasse de um encontro, como se quisesse olhar a morte de frente, fora dele, e lhe dissesse bom dia senhora morte, cheguei... (...) e só ele pode entrar naquele círculo, porque a morte é um assunto privado, muito privado, e ninguém lá pode entrar senão quem está a morrer... e aí chegado pede ao companheiro que o deixe, adeus e muito obrigado, e o outro regressa à manada...

 

(...)

 

Só eu conheço o meu círculo, sei quando há-de chegar o momento, é certo que quem nos escolhe é a hora, mas também é certo que se tem de concordar que ela nos escolha, a decisão é dela mas no fundo também tem de ser nossa, como se fosse nossa a escolha e nos limitássemos a capitular frente a ela... Por enquanto vamos trotando juntos, aparentemente seguimos em frente, embora na realidade estejamos a recuar para chegar ao meu círculo, que fica à minha frente. Tu entretanto ouve e escreve, quando chegar a hora da despedida eu digo." (Tristano Morre, p.10-11)

 

Foi hoje. Adeus Tabucchi.

publicado por Silvina às 15:14

Terça-feira, 07 de Fevereiro de 2012

 

A Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) criou 8 unidades de Psico-Oncologia no país, avança a RTP.

O objectivo é prestar apoio especializado aos doentes oncológicos e aos familiares.


Veja o vídeo da notícia no site da RTP.

 

Visto no Portal de Oncologia Português, 2012-02-03 | 10:46

Parece que as consultas são gratuitas e consegue-se marcação no espaço de uma semana. Revolucionário e, na minha opinião, é de aproveitar!

 

 

Pequena anedota: Há dois ou três meses telefonei para o IPO de Lisboa a pedir informações para marcar uma consulta de Psico-oncologia para um familiar meu. Expliquei a situação à senhora que me atendeu do serviço de psicologia do IPO Lx, ao que ela me responde que "isso de Psico-oncologia não existe!". E eu, que sim, que existe, que é uma área da Psicologia especializada no tratamento de doenças oncológicas. E ela finca pé: "Não. Nós por cá fazemos isso porque temos psicólogos com experiência nessa área, mas não temos cá especialistas." Desisti e fui pregar para outra freguesia. Enviei um mail para a Liga Portuguesa Contra o Cancro e dali a uma hora (juro!) alguém me respondeu que era só ligar para um número e marcar consulta. A Liga no seu melhor! :)

 

Para quem quiser comprovar a eficiência deles, são estes os contactos:

 

Linha de Apoio à Pessoa com Cancro, disponível através do número 808 255 255 e do e-mail linhacancro@ligacontracancro.pt, de segunda a sexta feira, das 09h00 às 18h00.

publicado por Silvina às 23:37


mais sobre mim
pesquisar
 
Translation(s)
Seguir a radiação
Últ. comentários
Desculpe mas percebeu mal: Tout va bien como uma e...
ainda bem que as coisas se resolveram e ela agora ...
Ja não. Tout va bien.
Ela ainda está em tratamento?
Faz por estes dias um ano que recebi um postal de ...
Tens-me feito tanta falta...beijinhos, muitos muit...
Radio Alertas




Partilhe a sua historia
Radio friendly Pub'


Kiva - loans that change lives

Estúdio Tatuagem Blood Oath Tattoos

Todas as palavras de Amor

Bau da Aurora artesanato

Mimos de Crochet


Creative Commons Licence