Querida Silvina:
Tenho-te lido há já uns tempos, mas tenho sempre mil e uma desculpas para me escusar a comentar. Isto porque já quase tudo foi dito e repetido e se as boas palavras e o carinho curassem, tu já estavas mais que boa... e não estás, portanto, o meu comentário deve ser encarado como isso mesmo, um mero comentário sem mais efeitos práticos e sem maior importância do que uma qualquer parvoíce que se lê. Posto isto, e sem querer menosprezar o que tens sofrido (e o que aí deve vir ;) ), tu sabes que "a galinha da vizinha é sempre melhor que a minha" e a relva do quintal ao lado é sempre mais verde" e tal e coiso, mas o preço do milho está um roubo e arranjar a relva dá uma trabalheira medonha...caga nisso, Silvina. A vida dos outros é uma treta, porque nunca a podemos ter, não é nossa...e tua deve servir para alguma coisa. Eu pelo menos creio que sim. Não sou grande crente em Deus nem grande praticante de coisa nenhuma, mas não me faz grande sentido, em termos lógicos, que as coisas aconteçam por acaso, mormente a nossa mera existência. Acredito que, como num gigantesco puzzle, cada um de nós é essencial para a perfeição final da coisa e que um puzzle onde falte uma peça ou onde apareça uma repetida, não presta. Por isso, a tua vida, assim, uma treta que só visto, serve um propósito essencial qualquer (ainda que muito houvesse a discorrer sobre o humor sádico de quem inventou o puzzle, mas enfim) e, como todas as peças, tem um direito e um avesso...
Peço que me desculpes por não te conseguir tratar como uma coitadinha, mas não consigo ver-te assim, acho-te demasiada engraçada para isso. E, por favor, não estejas tanto tempo sem dar notícias como estiveste no princípio deste mês que eu já te estava a dar como morta sem sequer te despedires de nós, que te lemos sem comentar.
Quando as dores forem muito fortes e os teus problemas te parecerem ainda maiores, tenta sair um bocadinho desse corpo que te tem falhado e tenta visualizar o puzzle completo; lembra.te de todas as vidas que, de uma forma ou de outra, tocaste, dos laços e pontes que estabeleceste e de como tudo não seria assim se não existisses. Vais ver que por um bocadinho vai doer menos, enquanto estiveres distraída com a tua ausência. Com sorte, quando voltares já a dor estará a passar... ;)
mãe a 14 de Novembro de 2012 às 23:47

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