As rádios emitem em várias frequências. Estes episódios, contudo, situam-se numa frequência diferente, não uma de rádio, mas de radio. Como em Radioterapia. Episódios de um tratamento oncológico (à suivre)
Sábado, 14 de Maio de 2011

 

Ora cá está ele, o chá verde, nesta versão é francês e misturado com menta, que eu não gosto muito do chá verde sozinho. Claro que este pacote de chá é biológico e muito, muito bom. O chá verde é um dos principais alimentos anti-cancro, isto é, que actuam na prevenção do cancro, como explica este senhor e como eu já tinha falado aqui e aqui. Então a minha primeira receita é:

 

Chá Verde com Menta Gelado

 

Num bule colocar 3 ou 4 colheres de sopa de chá e juntar 1l de água a ferver.

Esperar entre 5 a 10min, consoante se queira o chá mais ou menos forte.

Pegar numa garrafa de 1,5l vazia e juntar água fria, de modo a encher 1/5 da garrafa.

Juntar o chá, coando as folhas claro, devagarinho.

No fim juntar um bocadinho de açúcar mascavado, se gostarem do chá um bocado mais doce (eu gosto!).

Depois convém deixar arrefecer a garrafa antes de pôr no frigorifico e, uma vez frio, agitar bem o chá antes de beber! Et voilà!

 

 

Não dá trabalho nenhum e é óptimo para os dias mais quentes de Verão! (No Inverno é só preparar a versão quente do mesmo chá... Não há desculpa!)

publicado por Silvina às 00:20

Quinta-feira, 12 de Maio de 2011

Tenho um artigo para entregar até daqui a 12 dias. Faltam 12 dias para os exames. Tenho dois desafios no mesmo dia e o que me espanta é que sou forte o suficiente para terminar a porra do artigo e sobreviver com garra ao dia D. Tenho na caixa de medicamentos uma embalagem de ansiolíticos just in case mas até hoje ainda só tomei um e foi há quase 3 semanas atrás. Todos os dias trabalho um bocadinho, ao inicio só mesmo um bocadinho, um part- part-time de 1h30 ou 2h. Porque trabalho intelectual cansa e muito. E custa muito manter o nível de concentração elevado para o trabalho ser positivo. Eu já servi às mesas, e se estivesse agora a fazer isso seria muito mais fácil. Pensar custa. Sou obrigada a pôr de lado outro tipo de reflexões, medos e preocupações, para que não ocupem o espaço que o artigo tem que ocupar. A minha cabeça é limitada. Não tem espaço suficiente para tudo.

 

E neste momento em que se exige que eu repense toda a minha vida, o meu trabalho, os meus valores, as minhas prioridades, os meus projectos de futuro, ainda tenho que me re-descobrir, lidar com a doença e arranjar maneira de me priorizar sem me tornar egoísta e inflexível. Porque eu já não me sinto (muito) doente, mas ainda estou em recuperação. Porque quando a barra é mais pesada e as questões me afogam, lá voltam a insónia e as dores de cabeça e as dores de garganta e a tentação de enfiar mais morfina no bucho. E tem sido isto nos últimos dias. Ontem/hoje vi raiar o dia com os olhos já inchados e deitei-me às 7h da manhã. A manhã foi para esquecer, mas à tarde limpei os problemas, comi chocolate e deitei mãos à obra, porque o deadline não espera que eu acabe de ter pena de mim própria e de sofrer; o deadline, desta vez, é mais importante que a minha doença. Porque eu tenho orgulho neste artigo que escrevi, quero acima de tudo que seja publicado e lido. O cancro já me roubou muita coisa, e muitas oportunidades de trabalho, mas isto não me tira. Esta deadline é para cumprir.

publicado por Silvina às 17:32


publicado por Silvina às 02:44

Terça-feira, 10 de Maio de 2011

Há cada vez mais jovens entre os doentes de cancro no sangue

 

10.05.2011 - 07:40 Por Paula Torres de Carvalho

"O número de jovens com cancros do sangue está a aumentar também em Portugal. Cada vez mais os médicos recebem e diagnosticam este tipo de doença oncológica que se manifesta de forma muito agressiva em doentes mais novos, confirmou ao PÚBLICO a médica hematologista do hospital de Santa Maria, Graça Esteves.
O mieloma múltiplo é tratável, mas não curável
O mieloma múltiplo é tratável, mas não curável (Nuno Ferreira Santos)

“O aumento de doentes jovens encontra-se, aliás, em todo o tipo de cancros, não apenas nos de sangue”, afirma em declarações ao PÚBLICO, o médico Ricardo Marques da Costa, da unidade de oncologia do centro hospitalar do Barreiro. Segundo este clínico, supõe-se que “a prevalência do cancro está a aumentar na população em geral” e que “a vida no início do século XXI não é a melhor para as células se propagarem saudavelmente”.

Entre os cancros de sangue inclui-se o mieloma múltiplo, uma espécie rara que regista 400 novos casos, todos os anos em Portugal.

O cancro do sangue inicia-se quando uma célula sanguínea se converte em maligna devido a anomalias no material genético. O mieloma é um deste tipo de cancros. Depois do linfoma de Hodgkin, é o segundo mais frequentemente diagnosticado.

Por regra, afecta sobretudo adultos com idade superior a 60 anos. A causa exacta do seu aparecimento permanece desconhecida mas facto de surgirem agora jovens com este diagnóstico, poderá atribuir-se a alguns dos factores de risco que podem aumentar a probabilidade de desenvolver a doença. A exposição a produtos químicos e o efeito de radiações, estão entre estes, nota a médica Catarina Geraldes dos Hospitais da Universidade de Coimbra. A constante exposição a produtos químicos como pesticidas ou sprays de pintura são também referidos entre os factores de risco. Vários estudos associaram também infecções, como a da Imunodeficiência Humana (HIV) no desenvolvimento do mieloma.

Em cerca de 80 por cento dos casos os doentes apresentam lesões ósseas, fracturas e osteoporose na altura do diagnóstico. Também ocorre insuficiência renal em 40 por cento dos casos.

O mieloma múltiplo é tratável, mas não curável. Os novos medicamentos que estão a surgir para tratar esta patologia estão a permitir combatê-la não apenas com quimioterapia. Com a eficácia desses medicamentos, diminui a mortalidade em consequência deste cancro que se transforma cada vez mais numa doença crónica, explica Paulo Lúcio, médico hematologista do Instituto Português de Oncologia e do Hospital Militar que participou na semana passada num encontro médico internacional em Paris, precisamente sobre o mieloma múltiplo.

Paralelamente ao aumento de casos, os avanços na investigação e a eficácia dos novos fármacos estão a permitir um significativo “aumento da percentagem de sobrevida na generalidade dos cancros”, nota Ricardo Marques da Costa. Este médico salienta também a importância do aperfeiçoamento dos métodos de diagnóstico que permitem “estar em cima” de forma muito mais rigorosa das doenças oncológicas que também se vão tornando cada vez mais curáveis."

 

artigo do Publico

publicado por Silvina às 23:08

Domingo, 08 de Maio de 2011

Tenho necessidade de arrumar a cabeça e o espaço que me rodeia. Comecei pela varanda, que precisava de ser varrida urgentemente. Depois montei a mesa de madeira que tinha comprado há um mês e finalmente completei o espaço com 2 cadeiras em madeira e velas para exteriores. Ficou giro. Espero sentar-me e aproveitar os dias de sol que ai vêm, tomar o pequeno almoço lá fora ou ler a ouvir os passarinhos. Vida bucólica, portanto. A seguir foi o resto da casa, limpar, arrumar, pôr máquina a lavar. Só falta limpar o pó, coisa que pouco me apraz, mas tem que ser. A cabeça fica para outro dia.

 

publicado por Silvina às 17:58

Sexta-feira, 06 de Maio de 2011

Daqui a menos de 20 dias tenho já marcados os exames de rotina. São dois, análises ao sangue e ressonância magnética. Tenho medo, todos os dias. Não sei como é que as pessoas que vencem o cancro conseguem continuar a viver e não ter sempre medo que ele volte. Ou têm e controlam-no muito bem, não sei... A mim deram-me ansiolíticos, mas no dia seguinte a ter tomado um parecia uma banana, mole e lenta. Não tomei mais. Sim, tenho medo, todos os dias penso nisso várias vezes ao dia. Mas é algo que não posso controlar. E é algo que vou ter de repetir periodicamente o resto da minha vida.

 

O medo dos exames reflecte-se por exemplo no tomar decisões: quero inscrever-me num ginásio, devo fazer uma inscrição anual ou semestral? Penso imediatamente: "é melhor semestral, porque vêm ai dois períodos de exames e nunca se sabe". Quero começar um projecto novo, devo começar agora ou esperar para saber o resultado dos exames, para não se interromper a meio e se transformar em mais uma frustração de trabalho incompleta? Quero ir de férias no Verão, devo comprar já a viagem ou esperar mais 20 dias? (esta não é assim tão difícil, vou esperar).

 

Ao mesmo tempo que não sou gaja de viver com medos, aprendo inevitavelmente a conviver com eles. E isso faz-me uma confusão dos diabos à cabeça.



Adoro.

Ultimamente não páro de dar presentes a mim própria. é aproveitar enquanto posso! ;)

Tenho é de me pôr a pau com os gastos supérfluos. Mas este pequenino não foi muito caro. E o único relógio que tenho foi-me oferecido quando tinha 16 anos, achei que estava na altura de mudar...

publicado por Silvina às 00:30
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