As rádios emitem em várias frequências. Estes episódios, contudo, situam-se numa frequência diferente, não uma de rádio, mas de radio. Como em Radioterapia. Episódios de um tratamento oncológico (à suivre)
Segunda-feira, 08 de Agosto de 2011

 

...enrugadas.

publicado por Silvina às 16:11

Sexta-feira, 05 de Agosto de 2011

Noutro dia li um post do Felipe que me susteve a respiração. Afinal isto que tenho vindo a sentir é uma fase. Passa, eventualmente. Quero de volta a normalidade e a segurança de saber que posso entender o outro sem o recriminar, sem me sentir magoada. Quero que esta suavidade nas relações apareça rápido. Para poder recontruir o que foi afectado e estabelecer novas conexões. No man is an island, já dizia o outro. Em baixo, um excerto do tal post do Felipe:

 

Estava até conversando sobre isto com uma amiga, que o maior desafio do câncer é o aspecto emocional. Como é uma doença de longo prazo, que tem muitas intercorrências, onde você lida direto com a questão de vida/morte, tem que ter uma forte estrutura psicológia/emocional para aguentar o baque.

E este baque não se aplica somente ao paciente de câncer, mas a toda a sua família e pessoas que estão a sua volta.


Ás vezes a gente fica até um pouco egoísta, pois passamos a viver em função da doença, muitas vezes não podemos trabalhar e todas as necessidades das outras pessoas que convivem ao nosso redor, muitas vezes não conseguimos visualizar e atender devido ao estado de fragilidade em que nos encontramos.


A gente estar bem já é difícil, quanto mais pensar nos outros.  Por outro lado, muitas vezes ficamos mais sensíveis e conseguimos entender melhor os outros, ser mais tolerante, enxergar a vida por outro ângulo, o que acaba por dar uma qualidade nos relacionamentos que antes não tínhamos.


Também acontece que pelo fato de você estar doente, quer dizer em tratamento, querer a atenção das outras pessoas e até se chatear se isto não acontece.  Sabe eu Graças a Deus já passei desta fase.  Com o tempo e as diversas coisas que acontecem você começa a compreender que o mundo gira, e não gira ao seu redor, que as pessoas tem seus afazeres e não dá para elas te darem aquela atenção sempre.  Você começa a aceitar de bom grado as manifestações de carinho da forma em que elas vêm e não da forma que você quer impor ou exigir. Tudo começa a ficar melhor e mais suave.

 

 

* Da expressão "en faire tout un fromage"...

publicado por Silvina às 14:24

Terça-feira, 02 de Agosto de 2011

Soube há pouco tempo da sua recidiva [essa palavra que me persegue], que aconteceu em Junho de 2010, como eu. The Big One, como ele a descreve no seu último livro. Li-o de um fôlego, com uma noite de intervalo para respirar e para digerir, porque livros assim, sobre temas assim, não há muitos. O que resta do modo de vida Anti-cancro, quando o seu criador se foi? Tudo, explica ele no seu livro. Porque, para ele, viver Anti-cancro garantiu-lhe anos de vida que de outro modo não teria. Ter cancro aos 31 anos permitiu-lhe direccionar a sua vida, consumar nas palavras o conceito Anti-cancro, e realizá-lo também profissionalmente, nas muitas conferências que deu, artigos que escreveu, discussões médicas em que participou.

 

David Servan-Schreiber marcou-me muito, e ao meu modo de ver e viver a doença. No seu último livro, On peut se dire au revoir plusieurs fois, além de se despedir mais uma vez, demonstrou como se pode fintar a morte, estando em paz consigo e com o mundo. E explicou mais uma vez que o importante na vida são as relações humanas, as conexões que fazemos, os momentos que passamos em toda a sinceridade. A proximidade sente-se no seu livro. David respirou pelo meu pescoço abaixo, e deu-me um abanão que eu não esperava e que ainda sinto quando penso nas suas palavras. Quando acabei de ler o livro só me apetecia telefonar-lhe e dizer "Obrigada"; a ele e a todas as pessoas que me ajudaram, de uma forma ou de outra, a sobreviver ao meu Big One.

 

 

Morreu David Servan-Schreiber, o “Sr. Anticancro”

25.07.2011 - 12:48 Por Ana Gerschenfeld, no Público

David Servan-Scheiber, médico e neurocientista francês conhecido pelo seu livro sobre o "estilo de vida anticancro", morreu ontem à noite num hospital em Fécamp (noroeste da França). Tinha 50 anos e lutava há quase 20 contra um cancro muito agressivo no cérebro.
 
(Foto: João Gaspar/arquivo)

 

Há já várias semanas, tinha tornado pública a sua desesperada situação de saúde, com a publicação do seu último livro, On peut se dire au revoir plusieurs fois ("É possível dizer-se adeus várias vezes", na tradução em português) (ed. Robert Laffont).

Servan-Scheiber, que como lembra a AFP nasceu numa família de grandes empresários, estava já há três dias em coma, depois de ter sofrido durante os últimos meses de diversos sintomas neurológicos graves – paralisia, dificuldade em falar – devidos a metástases no cérebro.

Foi em 1992 que, por mero acaso, Servan-Scheiber se submeteu a uma ressonância magnética no âmbito de pesquisas em neurociências que estava a fazer no seu laboratório da Universidade de Pittsburgh (EUA) e descobriu que tinha um tumor cerebral maligno. Foi operado e tratado. Mas foi quando o cancro voltou em 2000, e quando Servan-Scheiber teve de voltar a ser operado e a submeter-se a quimioterapia e radioterapia – como contou ao PÚBLICO em entrevista em Maio de 2010 – , que percebeu que tinha de procurar o que ele próprio “podia fazer para reforçar a capacidade de o [seu] corpo combater a doença”.

O resultado dessas pesquisas foi o seu livro Anticancro – Uma nova maneira de viver, publicado em 2007 (e em 2008 em Portugal, pela Caderno). No livro, Servan-Schreiber detalha as principais alterações de estilo de vida (em termos de nutrição, mas não só) que, segundo tinha apurado a partir da análise de inúmeros estudos epidemiológicos e em animais publicados na literatura científica, podem ajudar o organismo humano a lutar contra o cancro. Apesar de ter sido alvo de críticas por parte de alguns oncologistas por preconizar métodos alternativos, Servan-Schreiber sempre afirmou que os métodos soft não deviam de maneira alguma substituir os da medicina convencional, que continuavam a ser os que já lhe tinham salvo a vida por duas vezes.

A terceira recaída aconteceu no ano passado e desta vez Servan-Scheiber não a conseguiu vencer. Motivou a escrita do seu último livro. “Se a doença me atinge apesar de pensar, comer, mexer-me, respirar e viver anticancro, então o que resta de Anticancro?, declarou. “É para responder a esta pergunta que escrevo hoje.”

Era uma questão que tínhamos evocado na entrevista do ano passado. Na altura, Servan-Schreiber tinha respondido simplesmente: “Eu não sou uma experiência científica. O que digo no meu livro não se baseia no sucesso ou no fracasso do meu caso pessoal – e ainda bem. Não possuo nenhum método garantido a 100 por cento, não sei o que me irá acontecer daqui a três meses ou três anos. Mas isso não altera a validade do que digo.”

Au revoir, David Servan-Schreiber.

publicado por Silvina às 04:46


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