As rádios emitem em várias frequências. Estes episódios, contudo, situam-se numa frequência diferente, não uma de rádio, mas de radio. Como em Radioterapia. Episódios de um tratamento oncológico (à suivre)
Terça-feira, 15 de Novembro de 2011

 

 

[Beyoncé, Cadillac Records, All I could do was cry]

publicado por Silvina às 10:39


 

imagem daqui

publicado por Silvina às 01:11


 

 

 

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Yep, ontem deu-me para isto. E hoje também. E quanto mais parvas forem as músicas, melhor...

A playlist é mais ou menos esta:

 

Shontelle - Impossible (video)

 

Ciara - Like a Boy (video) - esta é mesmo boa para abanar o capacete e tentar alguns moves de hip-hop-frustrado-de-gaja-com-corpinho-afectado-pelo-cancro

 

Sean Paul - Temperature (video) - ou outra qualquer dele, é um clássico...

 

Shakira - Hips Don't Lie ft. Wyclef Jean (video) - porque um dos meus sonhos é ter uma barriga como ela! E fazer aqueles moves com as mamas como no min 1:52 (vou acrescentar dança do ventre à minha Bucket List!).

 

Rihanna - Umbrella (video) - ella, ella, ella,...

 

Magic System - Bouger, Bouger (video) - "Tant qu'y a la vie tan qu'y a la vie on dit toujours y a espoir" (não sei o que é pior, se a música, se os videos, se os concertos em playback...) (ADENDA: pior mesmo foi eu ter assistido a um destes concertos...)

 

 

publicado por Silvina às 00:17

Domingo, 13 de Novembro de 2011

Johnny Cash - "Hurt"

 

 

If I could start again

A million miles away

I would keep myself

I would find a way


publicado por Silvina às 21:44


 

 

Quando ele descobre que tem cancro, conta à namorada e diz-lhe que esteja à vontade para deixá-lo, compreende perfeitamente que ela queira ir embora. Ela aparenta estoicismo, dignidade, elevação. Mas um pouco depois lá confessa que de facto não gosta de «misturar as coisas positivas com as coisas negativas».

[50/50
(2011), de Jonathan Levine, com Joseph Gordon-Levitt e Bryce Dallas Howard]

 

Pedro Mexia, no Lei Seca

publicado por Silvina às 16:50


Estreia cá em França no dia em que sou operada. Shit. Estou à espera deste filme há tantoooo tempo!...

 

 

 

 

(o Joseph Gordon-Levitt levava-me à lua [ida e volta!])

 

 

 

 

A Kitty Fane do O Amor é um Lugar Estranho também gostou :)


Sábado, 12 de Novembro de 2011

Em Maio deste ano tinha rascunhado um post sobre o direito a decidir. Lá para o meio estava isto:

 

"O paciente tem o direito de decidir sobre si mesmo. De acordo com o Princípio da Autonomia, que o Código de Ética Médica dispõe nos artigos 46 e 48 do capítulo IV, que enfoca os Direitos Humanos, o paciente não é obrigado a aceitar qualquer conduta terapêutica, ainda que na visão do médico essa conduta vá beneficiá-la. (...)

 

Os pacientes têm o direito de opinar sobre as conveniências do tratamento, dispor de seu corpo, partes e função, e de decidir sobre sua própria vida. Estudos têm comprovado que as pacientes com câncer que tiveram oportunidade de participar na tomada de decisão de seu tratamento vieram a experimentar menos ansiedade e depressão."

 

tirado daqui.

 

O caso da Safira, para lá da obvia discussão sobre quimioterapia ou utilização de novas terapias, também me fez pensar nisto, sobretudo pelas implicações que o caso veio a ter ao ser levado a tribunal. Afinal, o que pode um doente oncológico decidir? E até quando é que ele (ou ela) tem direito a decidir sobre a sua própria vida? Até ao fim? Até os outros considerarem que ele está demente e, consequentemente, impossibilitado de tomar decisões respeitantes ao seu corpo e à sua vida?

 

Vi-me confrontada com estas questões quando recusei que me pusessem uma sonda alimentar durante a radioterapia. Cheguei aos 45,5kg (meço 1,62m). Mais do que o numero, foi a rapidez com que perdi o peso que alarmou a equipa médica. Foram 12,5kg perdidos num mês e meio. Apesar disto, recusei a sonda. Contra a opinião dos médicos, das amigas que me acompanhavam, da família. Contra tudo e contra todos. Dois familiares visitaram-me e acharam que eu estava louca (louca género demente, mesmo, irracional). Não consigo expressar por palavras o quanto isso me magoou. A falta de confiança que demonstraram, o facto de me terem deixado sozinha na minha decisão só porque eles não concordaram com ela. Quando era uma decisão que deveria ser tomada por MIM e por mais ninguém. Claro que entendo o porquê: medo, preocupação, angústia ao ver-me pele e osso a enfraquecer de dia para dia. E foi quando toda a gente me virou as costas que eu finquei pé e perseverei. Foram duas semanas de braço de ferro. Não pus a puta da sonda e passado uma semana o peso estabilizou, e passadas 4 semanas comecei a engordar. Num mês e meio recuperei 10 kg (e algum músculo, orgulho-me de o afirmar!). Eu tinha as minhas razões para não querer sonda, e confiei em mim que ia conseguir sobreviver e recuperar o peso perdido. Corri um grande risco, sim, but it paid off. O reverso da medalha é que senti que a partir dai iria sempre estar sozinha com as minhas decisões. E que iria ser uma luta gigante até ao fim para que os outros as respeitassem, para que entendessem que eu tinha (e tenho) esse direito de decidir sobre o meu corpo, a minha doença, a minha vida. Doa a quem doer, é um direito que me assiste.

publicado por Silvina às 12:10
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Confesso que tenho alguma dificuldade em acreditar quando leio noticias como as que publiquei em baixo... Novas vacinas, nova máquina milagrosa de radioterapia que cura grande parte dos cancros numa só sessão, imunoterapia com células dedríticas revolucionárias, enfim, ultimamente tem sido um sem fim de possibilidades de "cura".

 

A ressalva é que quem está doente continua a enfrentar o cancro com as armas clássicas (cirurgia, radioterapia, quimioterapia). E é uma corrida contra o tempo. Anteontem lá estive que estar a explicar a um familiar que a nova máquina de radioterapia da Fundação Champalimaud só estará operacional no final do terceiro trimestre de 2012. E que eu não posso esperar! Sei lá eu se estou viva no terceiro trimestre de 2012!... Eu preciso de tratamento é AGORA. E agora, NESTE MOMENTO preciso, não há grandes terapias revolucionárias que me salvem.

 

Por isso encaro todas estas noticias com uma grande dose de cinismo. Por um lado aprecio que a Ciência avance, que se façam novas descobertas, e agradeço a todas as pessoas que estão envolvidas nestas pesquisas (desde o cientista ao individuo que se mobiliza para doar dinheiro para a investigação); Por outro lado sinto que avança tudo demasiado devagar, que a informação demora a circular, e temo que seja demasiado tarde para mim, e para muita gente na mesma situação. E é por isso que não consigo ficar verdadeiramente feliz ou com lágrimas nos olhos ao ler este tipo de noticias, não consigo reagir como se de um milagre se tratasse e dar graças ao Senhor. Todas estas terapias são na sua grande maioria experimentais, o que significa que ainda têm muitas provas para dar... Tenho consciência que passarei por uma terapia experimental no futuro, e que estas em 50% dos casos até ajudam a prolongar a vida. Agora se será uma delas que me irá "curar" o cancro, isso é outra história...

publicado por Silvina às 11:39


Deixo aqui uns vídeos que resumem a história da Safira, que saiu na Visão na semana passada. Para reflexão, mas convém sempre lembrar que cada caso é um caso.

 

 

 

 

publicado por Silvina às 11:31


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