As rádios emitem em várias frequências. Estes episódios, contudo, situam-se numa frequência diferente, não uma de rádio, mas de radio. Como em Radioterapia. Episódios de um tratamento oncológico (à suivre)
Quarta-feira, 23 de Maio de 2012

Dia 30 de Maio o Grupo de Estudos do Cancro de Cabeça e Pescoço (GECCP) vai andar pelas ruas de Lisboa, Coimbra e Porto, a distribuir informação sobre o Cancro de Cabeça e Pescoço. A iniciativa terá lugar no âmbito do Dia Mundial Sem Tabaco, que se assinala dia 31 de Maio, e tem o apoio da Sociedade Portuguesa de Oncologia e da Ordem dos Médicos Dentistas, entre outras entidades.

«No dia 30 de Maio, das 08h00 às 10h00 e das 17h00 às 19h00, médicos e doentes vão distribuir cartões informativos sobre o Cancro de Cabeça e Pescoço, bem como um laço em formato PIN que representa internacionalmente a doença. Contamos com o apoio da Associação Portuguesa dos Limitados da Voz que nos vai ajudar a sensibilizar as pessoas para este problema», explica Jorge Rosa Santos, Presidente do GECCP.

 



Esta campanha de rua decorre em Lisboa, Coimbra e Porto nos seguintes locais:

Lisboa:
- Metro do Cais do Sodré
- Metro do Marquês de Pombal
- Metro do Terreiro do Paço
- Metro da Praça de Espanha

Coimbra:
- Largo da Portagem
- Rua Ferreira Borges
- Rua Visconde da Luz
- Praça 8 de Maio

Porto:
- Casa da Música (imediações)
- Trindade
- Campanhã
- Senhora da Hora

 

Noticia DAQUI.

publicado por Silvina às 04:00


Eu tinha 27 anos. Nunca fumei. Não bebia. Não tinha sintomas nenhuns. Só um altinho no pescoço:


 

 

 

O cancro de cabeça e pescoço mata 3 portugueses por dia. Todos os anos registam-se mais de 1.800 novos casos em Portugal, sendo 85% das vítimas fumadores ou ex-fumadores.

Um dos objectivos do Grupo de Estudos passa por promover comportamentos saudáveis e a prevenção de doenças como o Cancro de Cabeça e Pescoço que está intimamente ligada ao consumo de álcool e tabaco, bem como a uma fraca higiene oral.

 

Dores de garganta, dificuldade em engolir, rouquidão, placas brancas ou vermelhas na boca, podem ser o primeiro sinal de alerta.

 

Mais informações: Grupo de Estudos do Cancro de Cabeça e Pescoço (GECCP)

publicado por Silvina às 03:53


A importância de um diagnóstico feito a tempo:

 

 

 

 

O cancro de pescoço e cabeça mata três portugueses por dia e 68 mil europeus todos os anos.

 

Em Portugal é uma das patologias mais graves, nomeadamente pelo pelo diagnóstico tardio.

 

Profissionais da saúde de todo o país lançam agora uma das maiores campanhas de prevenção em parceria com os centros de saúde.

 

Mais informações: Grupo de Estudos do Cancro de Cabeça e Pescoço (GECCP)

 


publicado por Silvina às 03:17


"le cancer échappe à tout le monde, aux scientifiques, aux médecins, mais il n’échappe pas au patient. Ce qui est important, c’est que les gens prennent leur responsabilité. C’est à eux, cette maladie, ce n’est pas aux médecins. Il y a des médecins qui sont totalement inconscients, je les appelle les «médecins assis». Ils sont si loin de vous, ils sont assis sur leurs connaissances, ils ont tellement peur que l’on apporte quelque chose de nouveau qui les déstabiliserait…" (Bernard Giraudeau, sublinhados meus)

«Le cancer est arrivé, je n’étais pas étonné» - Libération

 

 

 

O cancro é meu. Não é dos meus médicos, não é do meu pai, nem da minha mãe, não é das pessoas que me rodeiam, amigos e conhecidos. O cancro é meu, instalou-se no meu corpo, e não me larga há três anos.

 

No post anterior tentei explicar o que é viver à sombra da morte, presa num instante. Não é qualquer pessoa que tem cancro que percebe isto. Eu própria vivi com cancro durante um ano e meio antes de perceber isto, antes de sentir isto. No principio não percebia. Continuei sem perceber quando tive a primeira recidiva. E a segunda. Talvez estivesse meia burra ou demasiado optimista. Não pensava que aos 28 anos se pudesse morrer de cancro da glândula salivar. Que EU pudesse morrer assim. Depois veio outra recidiva e uma metástase no pulmão.

 

Aí senti tudo, o abanão. A mão da morte em cima da minha. Estávamos em Setembro de 2011 e eu não sabia se ia chegar ao Natal. Cheguei. Tenho vivido assim, cada dia a viver um dia a mais em relação ao Natal. Cada dia a conquistar os prognósticos. Cada dia a desafiar estatísticas. Entretanto o Matt morreu, aos 26, com cancro da glândula salivar. O Adam também morreu, aos 47, com cancro da glândula salivar. Na semana passada soube que esta quinta recidiva veio com bónus: agora tenho metástases em 3 sítios: pescoço, mediastino e rim. Tenho andado com a cabeça à roda e ao mesmo tempo uma calma que às vezes me assusta. Sinceramente, não sei o que mais posso fazer. Já não tenho mais cartas na manga. Penso no Lambard, sei que vamos mais uma vez ferozmente à luta. Desta vez vai ser sistémica. Vêm ai a quimioterapia. Aquela que me disseram ser "paliativa" e não "curativa". O cancro é meu, mas nós chegámos a este ponto.

 

 

Ce cancer avait, pour vous, un sens, comme un signal ?

Il a toujours un sens. C’est mon avis. Pour un homme adulte, sur le deuxième versant de sa vie, un cancer peut être un message, un questionnement. C’est souvent ce qui se passe.

Et la rechute a un sens ?

On fait l’erreur de croire que les choses sont miraculeuses. C’est en nous, ce cancer. S’il n’a pas été, je dirais… compris à la source, rien ne change vraiment. Car ce n’est pas qu’un problème de molécules, celles-ci vont nous faire guérir un temps, vous allez survivre, mais le reste ? C’est un décalage, un terrain défavorable. D’où cela vient-il ? Cela peut être plein de choses. C’est pour cela que je dis qu’il y a une nécessité pour le patient de se prendre en charge, de faire connaissance avec lui-même. Est-ce que l’on veut être aveuglé et rester sous la tutelle des médecins ? Ou est-ce que l’on veut travailler avec eux, avec son ressenti, ses sentiments, ses peurs ? (Bernard Giraudeau, sublinhados meus)


«Le cancer est arrivé, je n’étais pas étonné» - Libération

 

 

Na véspera da reunião da equipa médica que ia decidir o meu tratamento enviei um mail ao Lambard com fotos da minha viagem e um agradecimento entre parêntesis. Disse-lhe que sabia que os outros médicos não eram como ele; que os outros tinham medo de se envolver demasiado com os pacientes, e que esse medo, não deixando de ser legitimo, é mesmo muito estúpido. Porque temos que aproveitar as oportunidades de interagir com as pessoas enquanto elas estão por cá. Agradeci-lhe por ele estar sempre comigo. O cancro é meu, mas não o combato sozinha.

 

E nesta fase, começo mesmo a encarar as coisas menos belicamente e mais no sentido de uma oportunidade para uma profunda interrogação existencial. Para aprofundar o conhecimento sobre mim própria, sobre a vida, sobre o mundo em geral e o meu em particular. Deslumbro-me com o facto de o G. ter cá vindo a casa ajudar-me a pôr cortinas nas janelas (depois de 1 ano e meio de vida exposta aos vizinhos), de termos jantado sushi, de as cortinas serem brancas e simples e darem um ar de harém com classe à casa. Delicio-me com o facto de poder ir dormir numa cama feita de lavado e poder embrenhar-me no livro da Ana C. até me dar o sono. Até me agrada o facto de chorar quando leio entrevistas como essa do Bernard Giraudeau no Libération. Eu percebo-o. Eu percebo-o até ao osso. Eu, uma miuda de 29 anos quase 30, percebo-o a ele, um conhecido actor Francês com 62 anos. Estamos tão próximos. Estamos todos tão próximos. Sinto como se ele me falasse ao ouvido. E como se eu tivesse sensores emocionais em cada poro do meu corpo. Estou desperta como já não estava há anos. E mesmo estando a ser invadida por metástases, estou estranhamente serena. E isto não é resignação, nem baixar os braços. É um aceitar que a minha situação, neste momento preciso, é esta. É acreditar que há esperança, sempre, até ao ultimo suspiro. Falta-me conhecer os meus limites.

 

 

Et accepter d’être malade ?

Oui, si vous ne l’acceptez pas, c’est emmerdant. Mais en même temps, c’est l’histoire de chacun, certains refusent et ont guéri.

 

(...)

Est-ce que vous vous attendiez à un parcours aussi dur ?

Je le savais, mais aussi dur… Le plus dur est de ne pas savoir comment arriver à stabiliser cette maladie sans que cela ne devienne invivable.

Vous avez mis des limites ?

Oui, j’en ai mis. Je ne veux plus me faire opérer. J’ai déjà été tellement opéré que cela bousille. Pour les chimios, moi, cela fait deux ans. C’est une période difficile.

 

(Bernard Giraudeau, sublinhados meus)


«Le cancer est arrivé, je n’étais pas étonné» - Libération

 

 

Bernard Giraudeau morreu no dia 17 de Julho de 2010, de um cabrão de um cancro no rim descoberto em 2000.

 


Domingo, 20 de Maio de 2012

Já várias vezes me disseram que ter cancro e medo da morte era normal. Que ter a morte em face como eu tenho era normal; afinal, todos morremos um dia. E não sabemos quando, amanhã podemos andar na rua e ser atropelados por um autocarro. Ou cair de um penhasco no Guincho enquanto tiramos fotografias.

 

Mas imaginem:

 

- O chiar dos travões, o vosso coração acelerado, o medo, o vosso espaço vital a ser invadido por um monstro com motor, a vida a passar-vos diante dos olhos, a inevitabilidade do fim, o tomar de consciência inevitável que ocorre em centésimos de segundo, "é agora, vou morrer" e mesmo antes de morrer ficam parados nesse instante, em modo pause;

 

- O chão a fugir debaixo dos pés, o vento que bate mais forte na cara, o estender das mãos inútil porque não há nada onde nos podemos agarrar, o medo, a queda a tomar forma, a chegada do vazio e, perto do fim, a tomada de consciência inevitável que ocorre em centésimos de segundo, "é agora, vou morrer" e mesmo antes de morrer ficam parados nesse instante, em modo pause;

 

Imaginem-vos suspensos nesse momento, à beira dela, à beira da extinção. De todo o vosso ser, os vossos gostos, os vossos amores. O fim das palavras que ainda tinham para dizer, das ideias que ainda tinham para pensar, o desaparecimento da vossa ordem do mundo, da vossa singularidade, das vossas memórias. Imaginam quem fica, desamparado, perdido com a vossa perda. Imaginem-vos suspensos nesse instante. Em modo pause.

 

é assim que eu vivo, TODOS OS DIAS da minha vida. à beira desse fim. Por isso não me banalizem a morte por cancro, comparando-a com ser atropelado por um autocarro quando se atravessa a rua, comparando-a com todas essas coisas que podem acontecer (mas não estão ainda a acontecer), sejam elas acidente de carro, avião, de mota, afogamento numa lagoa ou numa praia sem vigilância, ou ingestão de cocktail acidental de drogas legais. São coisas diferentes, que exigem entendimentos e sensibilidades diferentes.

 

 

 

Cliché, but very true.

publicado por Silvina às 01:53


 

 

via blog da T.

 

(primeiro estranha-se, depois entranha-se)

 

 

Tonight
We are young
So let's set the world on fire
We can burn brighter than the sun

Now I know that I'm not
All that you got
I guess that I, I just thought
Maybe we could find new ways to fall apart
But our friends are back
So let's raise a glass
'Cause I found someone to carry me home

publicado por Silvina às 01:44


 

Fui ver este filme, que me arrancou as emoções, me fez chorar nem sei bem porquê, me mostrou o fraco, o belo, o degredo, tudo misturado e remexido, mais uma história de amor e de mudanças interiores. Crescer dói. Viver dói. As coisas acontecem, são belas, terríveis e violentas, ao mesmo tudo. E isto tudo junto coberto de ferrugem e de ossos. De Rouille et d'Os. Deixo a critica a sério ali para a Ana do Morfina.



[Tag pas dans le 13e]

 

 

Mais uma mensagem do Universo, para mim, à saída do ginásio, depois de uma aula de Tai Chi e um dia depois de saber da recidiva.

 

Porque é bom não esquecer que ainda estamos vivos.

publicado por Silvina às 00:42


 

 

{Refrain}
Que reste-t-il de nos amours
Que reste-t-il de ces beaux jours
Une photo, vieille photo
De ma jeunesse
Que reste-t-il des billets doux
Des mois d' avril, des rendez-vous
Un souvenir qui me poursuit
Sans cesse

Bonheur fané, cheveux au vent
Baisers volés, rêves mouvants
Que reste-t-il de tout cela
Dites-le-moi

Un petit village, un vieux clocher
Un paysage si bien caché
Et dans un nuage le cher visage
De mon passé

publicado por Silvina às 00:33


 

Ma plus belle histoire d'humour, c'est vous [Miss.Tic]

ou

Ma plus belle histoire d'amour, c'est toi [LE Miss.Tic] ???

 

Qual é a vossa versão? ;)

 

PARA VER MELHOR A FOTO, CLICAR AQUI!

 

 

[eu, pseudo-romântico-lamechas como sempre, passei nesta rua de bicicleta e li AMOUR (=amor) e C'EST VOUS (=é você ou são vocês). Parei a bicicleta, despi o colete reflector amarelo, saquei o telemóvel da mochila e tirei estas duas fotos. Passados dois dias cheguei a casa, fiz a montagem das fotos e foi aí que olhei bem para elas. "Mas espera lá...", pensei. "Há aqui um trocadilho que não estou a compreender... Mas a palavra Aumour existe em Francês? Deixa cá googlar isto." E pronto, 2min depois descobri que aumour não existe em Francês, e que estou mais míope (e romântica) do que eu pensava...]



mais sobre mim
pesquisar
 
Seguir a radiação
Últ. comentários
Como era linda, meu deus!
Em Janeiro de 2016, aos 53 anos, foi-me diagnostic...
To Blog parabens pela radio !
Desculpe mas percebeu mal: Tout va bien como uma e...
ainda bem que as coisas se resolveram e ela agora ...
Ja não. Tout va bien.