As rádios emitem em várias frequências. Estes episódios, contudo, situam-se numa frequência diferente, não uma de rádio, mas de radio. Como em Radioterapia. Episódios de um tratamento oncológico (à suivre)
Domingo, 15 de Julho de 2012

Visto no Stand Up To Cancer Blog.

 

Partilhado porque esta carinha laroca merece. Como ando lamechas já verti uma lágrima. Isto é que é ter força.

 

 

 

 

About Sean Swarner 
When I was only 13 years old, I was diagnosed with Advanced Stage IV Hodgkin’s Lymphoma and given only three months to live. I went through a year of chemo, lost all the hair on my body, lost all my friends, gained 60lbs, and when I was placed in remission, I had to start my life all over again. I lived life to the fullest by joining my friends playing soccer, swimming, football, cross-country, and track. It was a wonderful life, but it was short-lived. About 18 months in remission, I was going in for a check-up for the Hodgkin’s and in less than 24 hours they found a tumor on an x-ray, did a needle biopsy, took out a lymph node, cracked open my ribs, removed the tumor, inserted a drainage tube, and started chemotherapy. I was 16 and the doctors gave me less than 14 days to live. I went through three months of intense chemo, one month of radiation, and then 10 more months of chemo. The medicine this time around was so harsh, the doctors actually put me in a medically induced coma. I literally don’t remember being 16 years old.

When I was finally placed in remission, I celebrated and am still celebrating my survivorship by trying to give people something I never had… hope. I started trying to give hope to others at a very young age, when during my first cancer experience I was approached by the Make A Wish Foundation and my wish was to give it to others else so that they could enjoy something.  To this day, I’ve been told I am still the only person who has ever given his or her wish to someone else. As an adult I wanted to help more than just one or two people. Because of my past and my goal of giving everyone affected by cancer hope, my brother and I founded The Cancer Climber Association, where we help others by sharing inspirational stories, giving survivors an opportunity to join us on a climb, providing a mobile camp for kids with cancer, and facilitating personal visits to patients by survivors.

At the end of the day it’s about enjoying each day you have with the ones you love and celebrating life. Cancer may have been the worst thing that has ever happened to me, but it’s also ended up being one of the best things to have survived. My book is dedicated, to all those affected by cancer. I couldn’t have done anything without you… including climbing the highest mountain on each continent (the 7-Summits) and completing the Hawaii Ironman… all with only one functioning lung. Thank you for being my inspiration, my hope, and the driving force behind everything I’ve done in my life.  At the end of the day, for anyone affected by cancer, it’s about cherishing the time with those you love and powering through every day. Embracing your survivorship is one of the greatest experiences you could ever imagine. It’s a new lease on life, and can be absolutely anything you ever wanted. Keep Climbing!

publicado por Silvina às 17:50


Estas últimas duas semanas têm sido um bocado chatas. As dores continuam, a minha saga com a morfina também, sinto que estou sempre a tentar acertar a dose; nos dias em que tenho sorte a coisa vai, nos outros acordo invariavelmente às 5h da manhã com dores. Estou constantemente cansada. A radio começou 2a e acabou 6a. Radio-fulminante. Foram só 5 sessões, mas porra, estou cansada. E com as mesmas dores de antes.

 

Esta semana andei a correr hospitais de novo, pela primeira vez levei o almocinho numa lunchbox e comi no hospital. A lunchbox tinha sido comprada há uns tempos para levar a merenda para a biblioteca. Afinal estreei-a no hospital. No dia anterior o N. apareceu cá em casa com uma quiche, salada, pão, entradas, tout ce qu'il faut para um belo jantarinho. Fiquei com comida de sobra, e soube mesmo bem abrir o frigorifico e já ter tudo preparado. Foi só meter dentro da caixa e juntar uma maçã. Nestes dias em que está na moda a poupança, ando mesmo poupadinha: nada de saldos porque a perna não deixa; compras, só mesmo o essencial do essencial, o que faz com que ande a gastar metade do que gastava semanalmente no supermercado; não vou a restaurantes nem cafezar com os amigos, o que também é uma santa economia; não saio à noite e ainda não fui ao cinema. A vida contada assim até parece triste.

 

E até tenho andado triste. São as férias, em Paris chove e troveja, e quase toda a gente se foi. O Dr Lambard incluído. Vou estranhar a ausência de 3 semanas, vai-me custar e vou ter saudades (e disse-lhe). Vou também mudar de hospital, se o tal ensaio clínico se concretizar, por isso, e pela ausência dele, sinto-me lançada na natureza, clinicamente por minha conta.

 

Por minha conta, em modo de repouso absoluto, eremita assumida, tirando quando o N. me traz quiche.

 

Nestas alturas é difícil controlar a inveja e os ciúmes. Das pessoas que partem de férias, que podem meter a vida em pause por uns dias, que podem recarregar energias, vencer o cansaço, ver novas paisagens, deixarem-se ir, inspirarem-se, reencontrarem-se. Comparando isso tudo comigo, que tenho que cá ficar, lidar com exames, médicos, hospitais, metástases. Invejo tanto os outros nestas alturas. As vezes fico tão desesperada de inveja que até choro, porque é injusto, porque também queria ir de férias, descontrair, passar bons momentos, rir sem rede de segurança. O meu lado negro de invejosa em todo o seu esplendor.

publicado por Silvina às 12:17

Terça-feira, 10 de Julho de 2012

 

 "Já há muito tempo que queria ser dadora. Mas ia-me esquecendo, o tempo ia passando... os horários do centro de histocompatibilidade são curtos e pouco práticos, e o Hospital... francamente nem sei onde fica, e andar à procura dele por Lisboa era um dissuasor. Tudo parvoíces, claro.

Mas hoje, fui ao shopping buscar umas certidões (e colocar as prendinhas do giveaway no correio) e vejo uma menina a distribuir panfletos.
Até dia 14, em vários shoppings da região de Lisboa, está a decorrer uma campanha de recolha de sangue e de medula. E é de manhã à noite. Não há mais desculpas.

Finalmente, sou dadora. (...)"


 EU, no Trintona e Boa Rapariga

 

publicado por Silvina às 18:59


Desde Maio que estive para participar num ensaio clínico de fase 1, e num tratamento de radioterapia por CyberKnife. Esperanças em alta, expectativas, emoções à flor da pele...

 

...E depois, nada.

 

Apareceu sempre qualquer coisa, mudança de planos, troca de estratégia, esperanças mais em baixo, expectativas goradas, frustração. Tudo anulado.

 

Desta vez até tenho medo de respirar. Tenho medo que volte a acontecer qualquer coisa que me ponha fora da órbita deste novo ensaio clínico. Porque desta é que é. Gostei do ensaio, gostei do sitio, gostei do médico. Gostaria de provar o medicamento a ver se gosto. Mais 21 dias de espera até o poder fazer.

 

21 dias em que não pode acontecer nada (já chega de azares, já chega de surpresas!).

 

 

[Entretanto veio-me à ideia um pensamento místico: e se os outros dois falharam para eu poder finalmente participar neste? A verdade é que apareceu uma vaga caída do céu dois dias antes da minha 12a operação. Há quem defenda que coincidências não existem... Será?]

publicado por Silvina às 14:28


me, me, me, pick me!!!

 

 

 

 

[em principio escolheram-me, mas acho que só acredito quando lá estiver no 1° dia a levar com os medicamentos em cima como bela cobaia que sou. Ou ambiciono ser.]



Ando de muletas há 15 dias. Tenho saudades das minhas pernas, que mesmo molinhas e com celulite me permitiam deslocar-me livremente e em tempo útil por toda a cidade. Tenho saudades de não ter dores, de não ter que tomar morfina e não ter problemas de prisão de ventre.

 

Uma pessoa nunca aprende, mas acho que depois desta não me volto a queixar da gordurinha à volta do joelho, da coxa grossa, da flacidez, porque eu agora estou-me a cagar para isso tudo, e só queria era ter pernas para andar (sem muletas).

publicado por Silvina às 14:18

Quinta-feira, 05 de Julho de 2012

 

 

A letra é completamente vã, um bom exercício de abstracção: não ligar ao sentido das coisas e dar atenção ao sentir as coisas.

publicado por Silvina às 17:46

Segunda-feira, 02 de Julho de 2012

Cheguei à Clinica de mansinho, e quando dei por mim jà estava instalada num quarto individual (boa!), mas sem ar condicionado (buh!).
O cirurgiao ortopedista que me operou é um querido. Nada giro, mas tao boa pessoa que encantou. Gostei logo dele e isso ajudou no processo.

Nao gostei nada da médica anestesista, uma velha rançosa de cabelo curto, branco e ralo. Que me disse pérolas como: "Ai, isso nao me interessa, quando você estiver a dormir eu faço como entender de qualquer maneira." Ganhou o Oscar de Maior Besta do Serviço Nacional Francês. Nao perde pela demora, que jà estou aqui a congeminar para arranjar maneira de a lixar. Porque acho que a querida senhora me deslocou 3 dentes da frente, depois de eu ter explicado que NAO HAVIA FORMA de me entubar pela boca, que tinha que ser com fibroscopia (pelo nariz). Agora tenho 3 dentes à banda que podem cair a qualquer momento. E a velhaca da velha deveria saber que nao é boa ideia provocar doentes oncologicos desta maneira... la vengeance sera douce...

A operaçao em si correu bem, tenho mais um tubo e 2 parafusos de titânio na pernoca, e continua de vento em popa a minha transformaçao em Robocop.
Devo ter alta amanha, e ordem de soltura para conquistar Paris de muletas (mas nada de concertos punk por enquanto).

"Devagar se vai ao longe", era uma das frases preferidas da minha avo. E por enquanto é assim que se avança por aqui, devagarinho...
publicado por Silvina às 21:58


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