Numa escala muito diferente, e por motivos muito diferentes, estive a dada altura muito doente (uma coisa aguda, uma peritonite) e em risco de vida. Tudo se passou em horas/dias e não em meses/anos como no teu caso. Não estou a querer dizer que é a mesma coisa.
À conta disso, fiquei com um «fecho eclair» na barriga. Do umbigo à pelvis. E nota-se bem que está lá. Momentos antes da operação, no meio do cansaço daquela dor, um médico simpático disse-me - não vamos poder fazer a operação mais discreta. Vai ficar com uma cicatriz visível, mas é mais seguro. Autoriza? E eu respondi, claro. Que se lixe a cicatriz. Não a escondo, disfarço, ou mascaro. Sim, está ali. So what? Ainda bem que está ali. Se não estivesse ela, não estava eu. E fico bem feliz por a ter.
Claro que a proporção é outra. Claro que não tens a opção de esconder as tuas cicatrizes, se quiseres. Mas as tuas cicatrizes são uma marca daquilo por que passaste, e uma marca de que estás cá para contar. Que as contes sempre, por muito muito tempo, e com cada vez mais força. E o mundo ficará mais bonito por causa dessa cicatriz. ;)
Eu a 29 de Setembro de 2011 às 20:58

Ainda no tema das cicatrizes, olha o que a Luna publicou aqui: http://horas-perdidas.blogspot.com/2011/09/scar-project.html
Eu a 30 de Setembro de 2011 às 09:38

Ah, vi esse video, adorei! Vou copiar... :))
Silvina a 3 de Outubro de 2011 às 23:36

Olá Eu, obrigada pelo teu comentário. Eu sei que tens razão, e que a aceitação das cicatrizes tem de ir nesse sentido: "Ainda bem que está ali. Se não estivesse ela, não estava eu.", como muito bem puseste a coisa ;)
Já houve alturas onde não me conseguia olhar ao espelho, já passei 3 dias a chorar por ter visto umas fotos minhas (muito raras, porque andei a fugir a tudo o que eram flashes) tiradas em Abril, e já passei meses sem conseguir tocar na cara, com raiva do médico que me operou em vez de gratidão e com a sensação que tinha um buraco negro na cara. Andava curvada na rua, cheia de lenços e tudo, sempre a tapar a cara o máximo possível e a evitar o olhar dos outros. Na quinta-feira passada foi a primeira vez em muitooos meses que sai para a rua sem levar lenço. Ia no autocarro e até me deu um calafrio pelas costas do mal-estar, vergonha e embaraço que senti. Depois pensei que tinha que me orgulhar destas cicatrizes, que tinha que as assumir de uma vez por todas, que tinha que interiorizar que esta sou eu agora, e não vou voltar a ser o que era dantes. Foram precisos 11 meses, mas acho que agora estou a aceitar melhor a situação... E a conseguir olhar os outros nos olhos e pensar cá para mim: "esta sou eu, gostas muito bem, não gostas fuck you." ;)
Um beijinho*
Silvina a 3 de Outubro de 2011 às 23:35