A minha avó teve uma amiga chamada Silvina, que teve esclerose múltipla em placas, uma doença degenerativa. "Amigas destas, filha, só se tem uma vez na vida." Contou-me que se entendiam sem sequer precisarem de falar. A amizade é aquele contrato implícito que estaremos lá com o nosso amigo até ao fim, para tudo, contra tudo e contra todos, mão-na-mão. Quando a amizade é verdadeira é assim. Como a minha avó, que viu morrer a Silvina na sua cama: "E ela abriu muito os olhos, como se me quisesse dizer alguma coisa, mas já não conseguiu..." Pois é, avó. Eu sei o que é que ela ia dizer. Provavelmente "Obrigada" por teres estado sempre lá, ao longo da vida, a amparar-lhe as dores, a cozinhar e a limpar quando era preciso, a mudar fraldas à filha dela. Tudo porque "a Silvina era uma pessoa muito boa, tinha muito bom coração, era muito inteligente, mas teve muito azar na vida..." Nem sempre, avó. Ela teve a sorte de ter tido uma amiga como tu, e isso há poucas Silvinas neste mundo que o podem afirmar.
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