As rádios emitem em várias frequências. Estes episódios, contudo, situam-se numa frequência diferente, não uma de rádio, mas de radio. Como em Radioterapia. Episódios de um tratamento oncológico (à suivre)
Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2012

Ainda a propósito do S. Valentim, dei-me conta que me irritam os artigos em revistas e em sites sobre cancro que ao falarem nos problemas de sexualidade do doente oncológico só se pronunciam sobre aqueles doentes que estão casados ou em casal. Ah e tal, "fale com o seu parceiro", "seja sincero", "seja aberto e partilhe os seus medos e angústias em relação ao seu corpo", etc., etc. Ora tudo muito bem se existe amor e se o casal estiver junto há tempo suficiente para se conhecer muito bem e se amar mais ainda. Bons conselhos para aqueles que se encontram efectivamente... em casal!

 

Mas ninguém fala dos pobres desgraçados com cancro que estão solteiros, e portanto sujeitos a um engate esporádico, ou, pior, a um qualquer ritual de engate e enamoramento que torna essa questão da articulação de "cancro" e "sinceridade" muito mais difícil. Ninguém quer ouvir num primeiro encontro historias de cancro. E ninguém com cancro quer ter que explicar num primeiro encontro porque é que não tem uma mama ou porque é que não tem parte do maxilar e em consequência disso se encontra impedido de beijar normalmente (e por ai fora, sendo que "por ai fora" é uma metáfora para sexo oral).

 

Este ano abominei ainda mais o S. Valentim por isso mesmo. Pela falta de diálogo sobre problemas como este, pela falta de compreensão e sobretudo, pela falta de soluções concretas.

publicado por Silvina às 23:11
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Muito obrigada pela força Nanà. Gostei das suas fotos da Arrifana, um sitio lindo.
Um beijinho*
Silvina a 24 de Fevereiro de 2012 às 23:52



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