As rádios emitem em várias frequências. Estes episódios, contudo, situam-se numa frequência diferente, não uma de rádio, mas de radio. Como em Radioterapia. Episódios de um tratamento oncológico (à suivre)
Terça-feira, 06 de Julho de 2010

Visto no blog Sport Mental

 

(em francês, sorry)

 

 

"Tous les joueurs de tennis, quel que soit leur niveau, connaissent l’expression « jouer point par point », mais ont-ils tous conscience du message qu’elle cherche à faire passer, de sa relation au vécu de l’instant ? Ont-ils connaissance des liens de cette dernière avec les aspects mentaux de la performance ? Ont-ils réellement perçu l’intérêt de parvenir à « jouer point par point » et appris à développer les stratégies qui le permettent ?…

 

Rafael Nadal, lui, a fait de la capacité à vivre dans « l’ici et maintenant », un mode de vie, un accompagnateur de performance, une sorte de règle. A la question du journaliste « Vous attendiez-vous à ce genre de match ? », il répond : « je ne m’attendais à rien avant le match. J’attends juste de jouer mon meilleur tennis sur chaque point et d’essayer de me battre sur tous les points jusqu’au dernier. Je ne me dis pas : « cela va être dur, je vais perdre ou je vais gagner ». Je ne pense pas à ça. Je pense juste à me battre sur chaque point et à jouer point après point. Je ne pense pas au-delà du point suivant » (l’equipe.fr : Nadal : « Merci la vie »).

 

Il ne semble pas adopter cet état d’esprit uniquement durant une rencontre mais également dans son quotidien : « Disons que j’essaie de donner le maximum à chaque instant, à chaque entraînement, sur chaque point. L’important, c’est d’être présent tout le temps » (L’Equipe, Lundi 5/07/10, p.9)."


Domingo, 04 de Julho de 2010

Ando fascinada com esta ideia, de que lutar contra o cancro é vencer varias batalhas:

 

 

Quel regret que de tout risquer en un seul combat, en négligeant la stratégie victorieuse, et faire dépendre le sort de vos armes d’une unique bataille !



Tenho um problema com esta palavra. Nunca a consigo dizer bem. Reincidiva. Reincidência. Recidiva. Assim é que é. E ainda não quero acreditar que estamos lá. Que estou a reincidir, recidir, whatever.

 

Três meses e meio depois do fim da radioterapia cá está ele de novo, o cancro, desta vez instalado num gânglio linfático.

Estou confusa. Isto quer dizer que as duas operações que fiz não foram suficientes, que a radioterapia não funcionou, que vou ter que ser operada mais uma vez, e ser constantemente vigiada. Eu sou o bicho da liberdade. Como é que encaixo ser constantemente vigiada quando eu anseio por me escapar, fugir, ir (por ai)? Depois vem o medo. Então se isso tudo não funcionou, o que é que funciona? Como é que me livro disto?

 

Ao mesmo tempo que me sobe a angústia e me eriçam os pêlos dos braços sei também que dê lá por onde der vou conseguir ser mais teimosa que este cancro. Deste não morro. Posso morrer de outro(s), aos 70 anos, quero lá saber. Mas deste não.

 

E é preciso controlar a angústia, refrear o stress, combater o cansaço, comer bem e bio de preferência, continuar a tentar ter uma vida que se desmarque do cancro, uma vida outra que o cancro. Continuar.

 

publicado por Silvina às 11:51

Quarta-feira, 09 de Junho de 2010

Hoje estou mesmo ENERVADA com o cancro.

 

 

 

(status dos pulmões: limpinhos e bonitos, comme il faut!)

 

(amanhã é o PETscan. Medo.)

publicado por Silvina às 21:30

Segunda-feira, 07 de Junho de 2010

Cheguei cá há quase duas semanas. Vi o meu médico de família, a dentista jeitosa, fiz uma ressonância magnética e uma ecografia. Comecei lentamente a perceber que as coisas não estavam bem. A ressonância mostrou surpresas, daquelas que não se querem ter, a serem confirmadas pela ecografia feita no dia seguinte. "Tem uns brincos muito giros." "Obrigada." "De nada." Continuo a ter médicos giros e começo a saber responder a elogios com classe e sem corar. Ao menos isso.

A consulta com o meu médico Lambard durou quase uma hora. Ele estudou os exames, as imagens e os relatórios enquanto eu lia Cortázar. Cada um com a sua "cruz". Discutimos as possibilidades, e ele informou-me que tinha que prolongar a minha estadia. Em vez de 15 dias vou cá ficar pelo menos 45. é nisto que o cancro me fode. Tem uma capacidade brutal de me estragar os planos. Ainda balbuciei ao médico que tinha que voltar para Portugal, por causa do trabalho e levei com o olhar do "tenho pena mas nem penses" solidário.

Por isso nos próximos dias tenho marcado um PETscan (um scan de corpo inteiro que parece uma maquina do tempo e que faz-me sempre lembrar o House) e um scan aos pulmões. "Consigo, não vou correr mais riscos." Obrigada pela atenção Lambard, vamos masé scannear-me toda que eu mereço!

E, sem grandes certezas, nem grandes expectativas, decidi parar simultaneamente com a postura optimista e a postura pessimista. Inauguro de aqui em diante uma politica de realismo (e de algum romantismo) em relação ao cancro e aos seus caprichos. A partir de agora declaro confiar nos meus instintos, ouvir o meu corpo e valorizar as interpretações feitas a partir das pistas que disponho. às vezes para perceber qual a imagem que encerra o puzzle não precisamos de ter todas as peças.



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