As rádios emitem em várias frequências. Estes episódios, contudo, situam-se numa frequência diferente, não uma de rádio, mas de radio. Como em Radioterapia. Episódios de um tratamento oncológico (à suivre)
Sexta-feira, 04 de Fevereiro de 2011

"sexta-feira, 4 de Fevereiro de 2011 | 13:27  
Cancro oral aumenta nos jovens devido a novos hábitos sexuais


O número de casos de cancro oral tem vindo a crescer nos últimos anos entre os jovens portugueses. A razão, revela um estudo citado pelo Jornal de Notícias, prende-se, em grande parte, com os novos hábitos sexuais dos portugueses, entre os quais o sexo oral tem vindo a ganhar preponderância.

Segundo revela o JN, depois de muitos anos com o perfil traçado – homem, entre os 50 e os 60 anos, fumador e com hábitos alcoólicos por vezes muito marcados -, o doente de cancro oral começa a mudar, fruto de uma nova «prevalência crescente», que veio dar lugar a «uma nova realidade»: «doentes mais jovens, na casa dos 30 anos, com cancro oral, que corresponde a situações relacionadas com infecção da mucosa oral pelo Vírus do Papiloma Humano (HPV)», afirma, em declarações ao jornal, Daniel de Sousa, responsável pelo Serviço de Cirurgia de Cabeça e Pescoço no Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa.

Segundo este professor universitário, o fenómeno deve-se a «uma alteração dos hábitos sexuais desta população», que tem mais parceiros sexuais e leva à transmissão de doenças através da prática do sexo oral.

(continuação)
Apesar de serem «cancros orais com uma menor agressividade» e que «respondem melhor à terapêutica», Daniel Sousa não deixa de defender a necessidade de algumas medidas preventivas, alertando a população para o risco de se ter múltiplos parceiros, mas também promovendo a vacinação em relação ao vírus HPV de maior risco. Isto apesar de, recorda, a eficácia da vacina ainda não estar cientificamente comprovada."

 

Artigo no Diário Digital

 

Artigo completo no Jornal de Noticias


Segunda-feira, 27 de Dezembro de 2010

Ultimamente ando a tentar informar-me melhor sobre a minha doença. E descobri este livro/guia do paciente:

Patients' Guide to Head and Neck Cancer (2010)

 

 

 

é mesmo muito bom e recomendo. Pode ser comprado neste site: http://www.bookdepository.co.uk/book/9780763774318/Head-and-Neck-Cancer

(com portes grátis para Portugal)


Terça-feira, 06 de Julho de 2010

Reitero o pedido que fiz aqui há tempos:

 

 

Se encontrarem ai pelo cyberespaço alguém com o mesmo problema que eu, que me enviem para o mail episodiosderadio(AT)sapo(PONTO)pt, ou então deixem uma palavrinha ai na caixinha de comentários, a gerência agradece :)

 

Nome técnico deste cancro safado:

Carcinoma muco-epidermóide da glândula salivar sub-maxilar ou carcinoma mucoepidermóide da glândula salivar submandibular.

[Traduções: mucoepidermoid carcinoma submandibular salivary gland; carcinome muco epidermoïde de la glande salivaire sous maxillaire]

publicado por Silvina às 23:03

Segunda-feira, 07 de Junho de 2010

Cheguei cá há quase duas semanas. Vi o meu médico de família, a dentista jeitosa, fiz uma ressonância magnética e uma ecografia. Comecei lentamente a perceber que as coisas não estavam bem. A ressonância mostrou surpresas, daquelas que não se querem ter, a serem confirmadas pela ecografia feita no dia seguinte. "Tem uns brincos muito giros." "Obrigada." "De nada." Continuo a ter médicos giros e começo a saber responder a elogios com classe e sem corar. Ao menos isso.

A consulta com o meu médico Lambard durou quase uma hora. Ele estudou os exames, as imagens e os relatórios enquanto eu lia Cortázar. Cada um com a sua "cruz". Discutimos as possibilidades, e ele informou-me que tinha que prolongar a minha estadia. Em vez de 15 dias vou cá ficar pelo menos 45. é nisto que o cancro me fode. Tem uma capacidade brutal de me estragar os planos. Ainda balbuciei ao médico que tinha que voltar para Portugal, por causa do trabalho e levei com o olhar do "tenho pena mas nem penses" solidário.

Por isso nos próximos dias tenho marcado um PETscan (um scan de corpo inteiro que parece uma maquina do tempo e que faz-me sempre lembrar o House) e um scan aos pulmões. "Consigo, não vou correr mais riscos." Obrigada pela atenção Lambard, vamos masé scannear-me toda que eu mereço!

E, sem grandes certezas, nem grandes expectativas, decidi parar simultaneamente com a postura optimista e a postura pessimista. Inauguro de aqui em diante uma politica de realismo (e de algum romantismo) em relação ao cancro e aos seus caprichos. A partir de agora declaro confiar nos meus instintos, ouvir o meu corpo e valorizar as interpretações feitas a partir das pistas que disponho. às vezes para perceber qual a imagem que encerra o puzzle não precisamos de ter todas as peças.


Quinta-feira, 22 de Abril de 2010

Ontem fui a uma consulta de dermatologia. Contei ao médico sobre o meu Carcinoma muco-epidermóide da glândula salivar sub-maxilar, ao que ele responde: "Ah, mas isso é tão raro..." Eu sei, doutor. Já me sinto uma raridade.

 

Toma Mourinho, embrulha, porque eu é que sou "The Special One".

publicado por Silvina às 14:31

Sexta-feira, 05 de Fevereiro de 2010

"En ce qui concerne le stress, tout malade ressent le cancer comme une terrible injustice. On a envie d'avoir une cause, un coupable." Françoise May-Levin (cancérologue et bénévole à La Ligue contre le cancer), tirado de um artigo do L'Express.

 

 

Tenho um cancro ORL onde mais de 90% dos doentes são (ou foram) fumadores e/ou alcoólicos. Eu nunca fumei (os cigarros surf que fumei com 9 anos escondida atrás do muro da escola não contam), bebida claro que já bebi, como toda a gente. Sou exactamente como toda a gente. Como muitos legumes, porque faço uma alimentação pseudo-vegetariana -não como carne há 9 anos- mas peixe sim, e ovos, e queijo (hmmm tão bom queijinho de cabra). Porquê eu? Porquê eu, gaja saudável, com 27 anos, com estilo de vida saudável? é a pergunta que não tem resposta nestas histórias de cancro. é um daqueles azares da vida. Há uns bons outros maus. Para contrabalançar, também acho que o amor é um daqueles azares da vida. Senti-me tantas vezes com o rei na barriga, capaz de fazer tudo na minha vida, com total poder de decisão e escolha. Recentemente aprendi que não. Que há mesmo coisas incontroláveis, que se passam malgré nous, que nos invadem a existência e nos acordam de noite, e nos recheiam de stress e mal à l'aise.

Como acredito numa espécie de karma, género what goes around comes around (ja dizia o Bob), também acho que vai haver contrapartida. Ok, agora é o cancro. Sr. karma, o próximo azar que seja uma coisinha mais positiva sim? Para tirar esta barriga de misérias.

 


Quinta-feira, 14 de Janeiro de 2010

Só agora me dei conta que comecei este blog com dois posts, "Onde?" e "Quando?", mas não expliquei "O quê". Varreu-se-me.

Então cá vai, com algum palavreado médico à mistura, e com o pedido de que se encontrarem ai pelo cyberespaço alguém com o mesmo problema que eu, que me enviem o link para o mail episodiosderadio(AT)sapo(PONTO)pt, ou ai na caixinha de comentários, a gerência agradece :)

 

Nome técnico deste cancro safado:

Carcinoma muco-epidermóide da glândula salivar sub-maxilar ou carcinoma mucoepidermóide da glândula salivar submandibular.

[Traduções: mucoepidermoid carcinoma submandibular salivary gland; carcinome muco epidermoïde de la glande salivaire sous maxillaire]

Estádio II, cerca de 3cm de diâmetro, localizado, todos os gânglios linfáticos adjacentes não foram atingidos.

 

Primeiros sintomas:

 

Fevereiro ou Março 2008 (não tenho a certeza): aparecimento de um inchaço por baixo do maxilar, dores e dificuldades a engolir durante cerca de 1semana. Fui ao médico. Depois de me apalpar durante 10segundos, disse que devia ser um gânglio inflamado e que devia passar dali a 2meses, e que se não passasse que devia ir ver o que era (a consulta foi tão rápida, que nem percebi que era de facto uma consulta e sai de lá sem pagar).

Não passou. Entretanto deixou de me doer. Para mais, por motivos nada alheios à quantidade de bolos e chocolates ingeridos, engordei 8kg e deixei de ver o tal inchaço no pescoço, só o sentindo quando o procurava com a mão, para ver se ainda lá estava. Estava lá, e bem durinho. Como não sou nada alarmista, e como não me doía, deixei andar...

 

Fevereiro 2009: uma inflamação na garganta, com tosse e febre levou-me a ver o meu médico de família em Paris (sou de facto emigra, tenho um médico de família na França). Ele reparou no meu altinho, e disse que eu tinha que ir fazer umas analises ao sangue. Fui. Não acusaram nada de especial, mas o meu médico não largou o osso e mandou-me fazer uma radiografia aos pulmões e uma ecografia ao meu altinho, com a recomendação de ir ver um otorrino assim que tivesse os exames na mão.

 

Abril - Maio - Junho: Consultas com o especialista, ressonância magnética, mais analises ao sangue e um primeiro diagnostico: "olhe tem um tumor mas é benigno! 90% dos casos são benignos..." Mas mais uma vez este médico otorrino também não largou o osso e disse que me queria fazer mais um exame, quando é que eu podia voltar a Paris?... "Pois, agora só em Setembro", disse eu cheia de trabalho e vontade de ter um Verão decente no quentinho de Portugal.

 

Setembro: uma espécie de biopsia deu um resultado duvidoso. O médico liga-me (estava eu no estrangeiro por motivos de trabalho) e diz-me que tenho operação marcada dali a uma semana. Oi? Mas então onde é que esta a urgência? Não era benigno? Hmmm....

 

Novembro: Confirmação do diagnostico actual, cancrozinho, e radioterapia como tratamento / prevenção.

 

E assim acontece.



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