As rádios emitem em várias frequências. Estes episódios, contudo, situam-se numa frequência diferente, não uma de rádio, mas de radio. Como em Radioterapia. Episódios de um tratamento oncológico (à suivre)
Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2013

Eu sei que não tenho escrito muito, mas acontece-me sempre isto quando ando mais em baixo. Para além de ser Inverno e de a temperatura máxima aqui ser 1 mísero grau, também soube mesmo antes do Natal que tenho 4 (QUATRO) novas metástases no cérebro. Passado uns dias um amigo perguntou-me "Ah, mas o tratamento está a funcionar?", e eu pensei "deve estar parvo, acabei de lhe dizer que apareceram novas metástases e sai-se com esta?!" Claro que 2min depois mordi a língua, porque ele tem razão. A maior parte das quimioterapias não penetram a barreira hemato encefálica, portanto são ineficazes no que diz respeito a tumores no cérebro. O que não quer dizer que não possam estar a funcionar noutras partes do corpo. Portanto é uma noticia agridoce, que não ata nem desata. Basicamente não se percebe nada do que se está a passar comigo.

 

E no meio disto tudo foi a operação ao pé (está com bom aspecto, mas ainda não posso tomar banho -porquinha mood), uma contractura muscular nas costas há 1 mês e meio e outra no pescoço desde há uma semana. E isto deixou-me toda atravancada. Incapaz de me mexer sem dores. Se há coisa que me deixa possessa é acordar com dor, e sentir dores a toda a hora, todos os dias. Tenho os nervos em franja.

 

A juntar à festa, e esta foi a "pequena bomba" do final de 2012, tenho um novo médico. Pois é, o Dr Lambard foi-se embora. Mudou de hospital e de cidade. Este novo Dr Gonzalez também é giraço, tem uns grandes olhos azuis e sorriso malandro. Em 2011 tive uma pega com ele e deixámo-nos de nos falar por uns tempos, mas agora amansei e percebi que tenho que lhe dar uma oportunidade. Calçar os sapatos do Lambard não é fácil, eu não sou uma doente fácil (no sentido em que sou exigente), e portanto tenho que ir com calma. Tivemos a nossa primeira consulta "oficial" esta semana. Correu bem e fiquei admirada. Esperava pior. é bom quando se superam as expectativas.

 

E hoje o dia tinha tudo para correr mal mas acabou por correr bem: tinha consulta às 8h no hospital. Eu de manhã não existo para o mundo. Obvio que tive uma insónia, dormi 2h, levantei-me às 7h e lá fui para o hospital cheia de ramelas e de frio. Tratei do que tinha a tratar, ainda mamei um donuts, e depois como estava um dia de sol resolvi ser dondoca e fui às compras. Comprei um bocado por impulso, mas pensei, "fuck it, sempre quis ter umas calças amarelas torradas". E tornei-me uma fashionista por 11,99€. Depois vim a pé para casa, a apanhar sol na tromba, atravessei um parque, reparei que em pleno dia via a lua (?!), tentei abstrair-me das dores nas costas e nas pernas, fui comprar o almoço num traiteur italiano novo aqui ao pé de casa (caro como a porra, mil vezes o sushi!), e alapei-me em casa a comer durante 2h e a ver o The Biggest Loser. Pronto, e isto para mim foi um bom dia! :)

 

 

*não foi Chanel; eu é mais Pimkie.


Sábado, 29 de Dezembro de 2012

Nao consigo ficar mais de uma semana longe do ambiente hospitalar... Ontem fiz mais uma pequena cirurgia, a 15a. Desta vez ao pé, junto da unha, porque o erbitux (cabraozinho) dá cabo das unhas, e infecta tudo o que é pele junto das ditas cujas. Agora tenho um dedao do tamanho de um elefante e algum mau feitio porque também me constipei. E no que eram suposto serem umas belas férias encaixa-se a minha normalidade de maleitas e recuperação. E não passo disto. E há uma semana que nem sequer como sushi. (Mas nem tudo é mau. Fui mimada no Natal e tenho um brinquedo novo: um gadget chamado Samsung galaxy tab, para brincar enquanto estou de pé pro ar...)



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